Como divulgado pelo O Brasilianista, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira.
A Selic foi fixada em 14,75% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual, em um ambiente marcado por instabilidade internacional e sinais de desaceleração econômica.
A medida busca equilibrar o controle da inflação com a necessidade de evitar uma desaceleração mais intensa da atividade.
Segundo o Banco Central do Brasil (BC), o cenário externo se tornou mais incerto com o avanço de conflitos no Oriente Médio, o que afeta condições financeiras globais.
País mantém posição entre maiores juros reais
De acordo a CNN Brasil, mesmo com a redução da taxa básica, o país segue com uma das maiores taxas de juros reais do mundo.
O Brasil ocupa a segunda posição no ranking global, com juros reais de 9,51%, ficando atrás apenas da Turquia.
Esse indicador considera a taxa de juros descontada a inflação e representa o custo efetivo do crédito na economia.
Especialista avalia impacto sobre empresas
O efeito dos juros elevados é percebido de forma direta no ambiente empresarial, principalmente entre pequenos negócios.
Max Mustrangi, especialista em reestruturação de empresas e CEO da Excellance, afirma que o impacto vai além do custo financeiro imediato.
Segundo ele, “eles [empreendedores] estão sendo muito afetados pelos juros como consequência”, mas o problema não começa apenas na taxa elevada.
O especialista afirma que o endividamento tem origem em decisões anteriores. “A verdade é que eles [empreendedores] fizeram decisões erradas e tiveram que se endividar muito”, explicou.
Ele aponta que muitas empresas já operavam com prejuízo antes mesmo da alta dos juros. “As escolhas estratégicas ou operacionais que eles fizeram não davam retorno”, complementou.
Crédito caro agrava situação de pequenos negócios
De acordo com Mustrangi, a situação é ainda mais delicada para empresas de menor porte, que possuem menos acesso ao sistema financeiro tradicional.
“Imagina para as médias, pequenas e micro, que não têm nem acesso ao financiamento ou pagam às vezes agiotas ou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) com taxas escorchantes”, afirmou.
Segundo ele, o impacto atinge diretamente o caixa dessas empresas. “Quase que todo o dinheiro que ela ganha vai para pagar juros”, disse.
O especialista destaca que esse cenário limita a capacidade de crescimento e manutenção das atividades. “Está muito difícil”, resumiu.
Endividamento gera efeito em cadeia
Mustrangi afirma que o aumento do endividamento não afeta apenas empresas isoladas, mas toda a estrutura produtiva.
“A gente está vendo tanto número de falências batendo recordes também no Brasil”, disse. Ele explica que muitos negócios são formados por empreendedores individuais, com pouca margem para absorver custos elevados.
“Grande parte das nossas microempresas são, na verdade, empresas de uma única pessoa”, afirmou. O especialista também chama atenção para os impactos gerados por grandes empresas em dificuldade.
“Quando uma empresa monstruosa entra em recuperação judicial (RJ), é mortal para a cadeia de fornecimento e os trabalhadores”, disse.
Pequenos são os mais vulneráveis
Segundo ele, fornecedores menores são os mais expostos aos efeitos de uma crise. “Quando você pega um pequeno fornecedor, a chance dele em poucos dias ou semanas ir para o caixão é gigantesca”, afirmou.
Ele destaca que a combinação de dívida alta com juros elevados cria um ambiente de difícil recuperação para esses negócios.

