A fabricante chinesa GAC oficializou nesta quarta-feira (18) o cronograma de sua operação industrial no território brasileiro. Com início da produção previsto para o primeiro semestre de 2027, a montadora escolheu o estado de Goiás como base para consolidar sua estratégia global.
O grupo criado em 2008 vai utilizar as instalações da HPE em Catalão (GO), planta que atualmente fabrica modelos Mitsubishi. De acordo com a CNN, enquanto a HPE hoje produz cerca de 25 mil unidades anuais, o novo acordo viabiliza que a GAC fabrique até 50 mil veículos por ano, dentro de uma capacidade total de 100 mil unidades da unidade fabril.
A meta estabelecida projeta a venda de 100 mil veículos no mercado nacional até 2030, aproximando-se do patamar da BYD, que iniciou atividades no país em 2021.
Fabricação em Goiás
O modelo de negócio define que a HPE gerencie a manufatura e a logística, enquanto a GAC International assume as frentes de marketing e comercialização. Lu Guojie, vice-presidente da divisão internacional, confirmou que a montagem inicial ocorrerá via kits CKD importados da China, enfatizando o caráter estratégico da produção local.
Embora a definição sobre quais motorizações serão priorizadas ainda esteja em aberto, Leonardo Lukacs, diretor de engenharia, destacou que a estrutura goiana está apta a produzir tanto motores a combustão quanto eletrificados.
Portfólio de produtos
Marcando o anúncio, a empresa apresentou o utilitário GS3, movido a gasolina, como seu primeiro trunfo comercial. O modelo, equipado com motor 1.5 turbo de 170 cavalos e sistema de estacionamento automático, chega com preço promocional de R$ 129 mil para o lote inaugural.
Eduardo Sato, diretor de vendas, classifica o veículo como o principal produto de volume desta etapa. A ofensiva inclui ainda a chegada do elétrico Aion UT no segundo trimestre e de dois utilitários de grande porte no segundo semestre. Para sustentar o crescimento, a GAC planeja saltar de 60 concessionárias no fim de 2025 para 100 pontos de venda até o encerramento deste ano.
A GAC, sexta maior montadora chinesa e parceira de Toyota e Honda em seu país de origem, integra uma forte onda de fabricantes asiáticas no Brasil. O plano de investimento anunciado em 2025 prevê o aporte de R$ 6 bilhões ao longo de cinco anos.
O movimento ocorre em um momento de alta nas importações, que atingiram quase 500 mil unidades em 2025, e de acirramento da concorrência com a entrada de marcas como Omoda, Jaecoo, Leapmotor e Jetour. Com presença em mais de 100 países e projeção global de 2 milhões de veículos para 2024, a GAC busca agora cravar seu espaço em um dos dez maiores mercados automotivos do mundo.
Mercado de carros no Brasil
De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em 2025, foram fabricados 2,644 milhões de autoveículos, representando 3,5% a mais que em 2024. A previsão para 2026 é de 2,741 milhões de unidades, alta de 3,7%, concentrada em veículos leves, que devem crescer 3,8%, enquanto a produção de caminhões e ônibus deve atingir 154 mil unidades, 1,4% acima do ano anterior.
O resultado de 2025 também foi favorecido pelo bom desempenho de emplacamentos em dezembro, impulsionado por promoções de queima de estoque. No total, foram emplacados 2,69 milhões de veículos, apenas 100 mil abaixo do patamar de 2019, próximo ao nível pré-pandemia.
As exportações de autoveículos brasileiros cresceram 32,1%, totalizando 528,8 mil unidades, com expectativa de leve crescimento de 1,3% em 2026, apoiado pelo desempenho da Argentina. As importações subiram 6,6%, puxadas principalmente por veículos produzidos em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, principalmente a China, que respondeu por 37,6% dos 498 mil veículos importados em 2025.
Pela primeira vez, países fora do Mercosul e México representaram 50,2% dos importados vendidos no país.
A Anfavea ainda projeta que a entrada de veículos eletrificados importados deve diminuir em 2026, em razão do início da produção nacional de híbridos e elétricos, da eliminação dos incentivos à importação de kits SKD e CKD e da recomposição da alíquota do Imposto de Importação prevista para julho.

