O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa básica de juros e fixou a Selic em 14,75% ao ano na última quarta-feira (18). A medida foi tomada em um contexto de maior instabilidade global e diante de sinais de desaceleração da economia brasileira, mantendo o foco no controle da inflação.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a medida é correta, mas insuficiente para interromper a queda da atividade econômica, visto que não destrava investimentos, nem reduz o endividamento — sintomas da política monetária excessivamente restritiva.
“A inflação está em franca desaceleração e as expectativas de mercado para a alta dos preços seguem dentro do intervalo de tolerância da meta. Isso, por si só, já justificaria queda mais acentuada da taxa básica de juros. Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, alertou o presidente da CNI, Ricardo Alban, em nota.
Para Alban, o BC deve intensificar a magnitude dos cortes na Selic já na próxima reunião do Copom, prevista para o fim de abril.
“Isso é necessário para viabilizar melhores condições de investimento às empresas, reduzir o endividamento das famílias e recolocar a economia em trajetória de crescimento. A flexibilização mais expressiva dos juros não é apenas desejável: trata-se de condição imprescindível para recuperar a produtividade nacional e o bem-estar social”, continua.
Quais os principais efeitos do corte da Selic?
Ao reduzir a Selic para 14,75% ao ano, o Copom entende que a medida contribui para a convergência da inflação ao longo do tempo, sem comprometer a estabilidade econômica. A decisão também considera a necessidade de reduzir oscilações na atividade e favorecer o emprego.
O Banco Central avaliou que o período de juros elevados já produziu efeitos sobre a economia, criando espaço para ajustes graduais. Mesmo assim, o ambiente ainda exige cautela, especialmente diante das incertezas externas.
A autoridade monetária enfatizou que seguirá monitorando a política fiscal e o cenário internacional. Os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio continuam sendo um ponto de atenção, principalmente pelos impactos nos preços globais.
Com isso, as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos e do grau de incerteza. O Copom indica que novos ajustes podem ocorrer, desde que o cenário permita maior previsibilidade.
O que é Taxa Selic?
A taxa Selic é o juros básico da economia brasileira e também o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação e influenciar a economia. Ela serve de referência para diversas taxas de juros, como as cobradas em empréstimos e financiamentos, de acordo com o Banco Central do Brasil.
Na prática, a Selic corresponde à média dos juros praticados em operações com títulos públicos federais de curtíssimo prazo. O Banco Central atua para manter essa taxa alinhada à meta definida pelo Copom.
O nome Selic vem do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, plataforma onde são registradas e negociadas essas operações com títulos públicos.

