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Economia

Caso Master pressiona crédito: “Quem mais sente são as pequenas empresas”, diz especialista

Escândalos financeiros ampliam desconfiança no sistema e dificultam acesso a recursos

Caso Master pressiona crédito: “Quem mais sente são as pequenas empresas”, diz especialista

A revelação de fraudes bilionárias envolvendo instituições financeiras, como no caso do Banco Master, não afeta apenas investidores ou grandes bancos.

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O impacto se espalha por todo o sistema e atinge diretamente empresas que dependem de crédito para operar, especialmente as de pequeno porte.

Em um ambiente de incerteza, o dinheiro fica mais caro, escasso e seletivo, o que muda a dinâmica de acesso a financiamento no país.

Para Enoque Estevão Britto, advogado e economista com atuação em reestruturação empresarial, o efeito é imediato e amplo. “Escândalos financeiros não ficam restritos às grandes instituições, eles afetam todo o mercado. Quando o risco aumenta, o crédito diminui e quem mais sente são as pequenas empresas”, afirma.

Confiança abalada no sistema

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil (BC) em 2025 evidenciou falhas graves no sistema financeiro.

Segundo a CNN, a instituição oferecia produtos com rentabilidade considerada fora da realidade, chegando a prometer retornos de até 140% do CDI, o que levantou suspeitas sobre sua capacidade de pagamento.

Esse tipo de prática impacta diretamente a confiança entre bancos, investidores e empresas. Em cenários assim, instituições financeiras passam a adotar critérios mais rígidos para concessão de crédito, elevando exigências e reduzindo exposição a riscos.

Britto explica que esse movimento é natural em momentos de crise. “No cenário atual, crédito não é mais um recurso garantido. É um privilégio de quem está preparado”, destaca.

Efeito dominó no crédito

O impacto não se limita às instituições envolvidas. De acordo com a BBC, o rombo estimado relacionado ao caso pode chegar a R$ 47 bilhões, afetando o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e pressionando todo o sistema financeiro.

Esse tipo de prejuízo gera um efeito em cadeia. Bancos passam a preservar liquidez, investidores ficam mais cautelosos e operações de financiamento diminuem.

Com isso, empresas enfrentam mais dificuldade para obter capital de giro ou expandir atividades. Além disso, há impacto indireto nas contas públicas.

Parte das perdas pode recair sobre estados e municípios, especialmente quando fundos de previdência pública são afetados, o que pode reduzir investimentos e aumentar a pressão fiscal.

Pequenas empresas na linha de frente

Negócios de menor porte tendem a ser os mais atingidos nesse cenário. Com menor acesso a crédito e menor capacidade de negociação, essas empresas enfrentam restrições mais severas.

Britto avalia que a dependência de financiamento externo se torna um risco maior em momentos de instabilidade. “Gestão financeira deixou de ser diferencial. É uma questão de sobrevivência, é essencial”, afirma.

Esse cenário se agrava porque pequenas empresas costumam operar com margens mais apertadas e menor reserva de caixa, o que reduz sua capacidade de absorver choques financeiros.

Mudança na postura do empresário

Diante desse ambiente, o especialista aponta a necessidade de adaptação imediata por parte dos empreendedores. “O empresário precisa focar em três pontos. Organizar o caixa, reduzir custos e evitar dependência de crédito caro”, explica.

Segundo ele, a estrutura financeira da empresa passa a ser determinante para conseguir acesso a recursos, mesmo em cenários adversos. Negócios organizados e com informações claras tendem a ter maior credibilidade junto ao sistema bancário.

Além disso, a antecipação de problemas se torna estratégica. “O principal é agir sempre antes da crise. Porque hoje, quem se antecipa, consegue crédito. Quem espera, enfrenta restrição”, destaca.

Diversificação como estratégia

Outro ponto central destacado por Britto é a necessidade de diversificar relações financeiras. Em momentos de crise, a concentração de crédito em uma única instituição pode aumentar o risco de exposição.

“Diante de escândalos financeiros, o empresário precisa mudar a postura. O primeiro é evitar concentração de crédito em uma única instituição financeira”, afirma.

Ele reforça que acompanhar custos e revisar contratos também são medidas essenciais. Isso porque, em cenários de instabilidade, as condições de financiamento podem mudar rapidamente.

Cenário exige mais controle

A combinação de juros elevados, incertezas externas e episódios de fraude cria um ambiente mais restritivo para o crédito. Isso exige maior controle financeiro por parte das empresas e maior cautela das instituições.

Britto resume esse momento como um divisor de águas na gestão empresarial. “Fortalecer o próprio caixa é fundamental, porque em momentos de instabilidade, o crédito pode simplesmente desaparecer”, explica.

Desdobramentos para o mercado

O caso Banco Master também levanta discussões sobre regulação e fiscalização do sistema financeiro. A atuação de órgãos como o Banco Central e a Polícia Federal indica uma tentativa de conter riscos sistêmicos e evitar novos episódios semelhantes.

Ao mesmo tempo, o mercado tende a se tornar mais seletivo. Empresas com maior organização financeira e menor alavancagem devem ter vantagem no acesso a crédito.

Para o especialista, a tendência é de um ambiente mais exigente nos próximos meses. “No fim, escândalos afetam o sistema como um todo, mas sobrevive melhor quem está preparado para reagir”, conclui.

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