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Economia

Cenário internacional torna ambiente econômico nacional incerto, aponta ata do Copom

A autoridade monetária destacou que o atual contexto de conflito tem impactado nas condições financeiras globais

Cenário internacional torna ambiente econômico nacional incerto, aponta ata do Copom

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada entre os dias 16 e 17 de março, definiu o cenário econômico brasileiro como incerto, diante dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. O colegiado considerou a necessidade de cautela na condução da política monetária do país, o que levou à decisão de promover um corte mais moderado na taxa de juros.

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Com isso, o grupo definiu que a redução mais adequada para a taxa básica de juros da economia, a Selic, seria de apenas 0,25%, passando de 15% para 14,75%, movimento considerado insignificante para o mercado. A ata da reunião afirma que a decisão buscou contribuir para a convergência da inflação à meta de 3% ao ano.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, aponta a Ata da 277ª reunião do Copom.

Oscilações

Conforme informações do Banco Central, ao avaliar o atual momento internacional, marcado por tensões entre os Estados Unidos e o Irã, a autoridade monetária destacou que esse contexto tem gerado reflexos nas condições financeiras globais. O momento exige cautela por parte de países emergentes, diante da elevação da volatilidade nos preços de ativos e de commodities.

“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, afirma o documento.

Atividade econômica doméstica

A atividade econômica doméstica apresentou trajetória de moderação no crescimento, movimento registrado anteriormente. Os resultados apresentados na última reunião indicam que, no último trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou desaceleração, o que pode ter sido influenciado pelo período prolongado de uma política monetária mais restritiva.

O mercado de trabalho segue em desenvolvimento, conforme avaliação do Copom. De acordo com o noticiado pelo O Brasilianista, no último trimestre, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4%, com 38,1% da população trabalhando de alguma forma e redução na quantidade de pessoas desocupadas em 19 estados do país.

O colegiado afirmou que acompanha de perto o mercado de trabalho, tanto no curto quanto no longo prazo, e destacou a necessidade de aprofundar a análise sobre como nível de ocupação impacta os salários e, consequentemente, os preços dos diversos setores da economia.

Inflação

Os resultados econômicos mostram que a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum tipo de desaceleração, mas continuam acima da meta para a inflação. De acordo com o Copom, o período de declínio voltou a subir após o início dos conflitos no Oriente Médio, mantendo as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus em valores acima da meta, de 4,1% e 3,8%, respectivamente.

“Mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, afirma a entidade monetária.

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