Publicidade
Economia

“Meu lucro vai reduzir?”: Especialista explica impactos do fim da escala 6×1 para empresas

Empresariado demonstra preocupação com possíveis impactos adicionais sobre os custos para permanecer com as portas abertas

“Meu lucro vai reduzir?”: Especialista explica impactos do fim da escala 6×1 para empresas

A proposta de pôr fim à escala 6×1 no país avança enquanto crescem as discussões sobre seus efeitos na economia e no mercado de trabalho. Nesse cenário, o debate percorre pela avaliação dos benefícios para os trabalhadores, principal foco da medida, e dos possíveis impactos para o setor produtivo, que sobrevive a um contexto já marcado pelo aumento de juros e incertezas econômicas cada vez maiores.

Publicidade

Diante disso, o empresariado demonstra preocupação com possíveis impactos adicionais sobre os custos para permanecer com as portas abertas nos próximos anos. Conforme explica o conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Thiago Holanda, a apreensão com a mudança na jornada de trabalho realmente deve ser levada em consideração já que as chances de aumentar os custos para as empresas têm praticamente 100% de chances.

Necessidade de mais contratações

O especialista afirma que o custo adicional ou não dependeria principalmente da possibilidade de corte salarial, já que, com a redução da jornada, os trabalhadores passarão automaticamente menos tempo em serviço, alternativa que é proibida pela proposta. Além disso, Thiago Holanda pondera que o impacto do faturamento não será uniforme entre os setores, devido às variações de custos de cada um deles.

“Em regra, a redução da jornada sem corte salarial tende, sim, a pressionar a margem de lucro, porque eleva o custo da hora trabalhada para a empresa. Mas esse efeito não será uniforme entre os setores, já que a estrutura de custos varia muito de uma atividade para outra. Os segmentos mais intensivos em mão de obra, como serviços, varejo, alimentação e parte da hotelaria, tendem a sentir mais essa mudança”, aponta Holanda.

Na prática, as empresas que dependem de mais força de trabalho precisarão fazer o reforço de escala com novas contratações, além de promover reorganização operacional, o que fará com que o custo seja pressionado. Na contramão, os setores mais automatizados podem absorver melhor a transição, com impacto relativamente menor sobre o resultado. “Um estudo divulgado pelo IPEA, por exemplo, indica que a jornada de 40 horas elevaria o custo médio do trabalho celetista em 7,84%, mas o efeito sobre o custo operacional total tende a ser menor e desigual entre os setores”, explica.

Haverá um plano para auxiliar o setor privado?

Ao O Brasilianista, Thiago Holanda explicou que, por enquanto, o governo tem falado mais em implementação gradual e negociação coletiva da proposta do que em um pacote amplo e específico de compensação para todas as empresas. Diante disso, segundo ele, ainda não é possível afirmar que caso a medida seja aprovada haverá um plano de “apoio” para auxiliar o setor privado.

Proposta do fim da escala 6×1

De acordo com o movimento Fim da Escala 6×1, cerca de 70% dos trabalhadores contratados nessa escala enfrentam estresse ocupacional, enquanto 30% já apresentaram sintomas de burnout. Dados apontam ainda, que 47% dos contratados pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) possuem jornada de trabalho acima de 40h, e 13,5% trabalham 48h ou mais, quantidade acima do permitido pela legislação.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, que enfrenta fortes reações no campo político, prevê que a jornada de trabalho passe de 44 horas semanais e 8 horas diárias para 36 horas, com duas folgas por semana. As expectativas são de que cerca de 38 milhões de trabalhadores sejam beneficiados com as mudanças, de acordo com informações do O Brasilianista.

Siga as redes sociais do O Brasilianista