A atividade econômica da zona do euro perdeu força em março e registrou o nível mais baixo em dez meses, recuou para 50,5, ante 51,9 em fevereiro. Apesar de permanecer acima da marca de 50 pontos, que indica expansão, o resultado sinaliza um avanço apenas marginal da atividade no mês, configurando o ritmo mais fraco desde maio de 2025, de acordo com a prévia do índice PMI composto pela S&P Global.
O desempenho foi impactado principalmente pela desaceleração do setor de serviços, o índice de atividade caiu para 50,1, também o menor patamar em dez meses. A produção industrial avançou de forma modesta, com o índice de produção manufatureira recuando levemente para 51,7. Em contrapartida, o PMI industrial geral atingiu 51,4, o maior nível em 45 meses.
Mesmo com a expansão mantida pelo 15º mês consecutivo, a economia da região se aproximou da estagnação em meio à queda de novos pedidos, registrada pela primeira vez em oito meses. A retração ficou concentrado no setor de serviços, ao passo que a indústria seguiu apresentando crescimento nos pedidos.
As encomendas externas também recuaram novamente, acumulando 49 meses seguidos de contração.
Influência sobre insumos
A pressão inflacionária ganhou força no período, com os custos de insumos avançando no ritmo mais intenso desde fevereiro de 2023, impulsionados sobretudo pelo aumento dos preços de energia e pelos impactos da guerra no Oriente Médio sobre as cadeias de suprimentos. Os preços cobrados pelas empresas também subiram, embora em intensidade menor que os custos.
Os gargalos logísticos se agravaram, levando ao maior alongamento dos prazos de entrega desde agosto de 2022. Ao mesmo tempo, os estoques de insumos e produtos acabados continuaram em queda, mesmo com a retomada das compras na indústria após 44 meses de retração.
No mercado de trabalho, o emprego voltou a cair em março, marcando o terceiro mês consecutivo de redução puxado pelo setor industrial, enquanto os serviços registraram pouco aumento. Alemanha e França lideraram as perdas de postos, enquanto o restante da zona do euro apresentou a expansão mais fraca desde novembro de 2023.
Confiança do empresário
A confiança empresarial também recuou de forma acentuada, atingindo o nível mais baixo em quase um ano, com a maior queda mensal desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Apesar de ainda projetarem crescimento da atividade nos próximos 12 meses, as empresas demonstraram otimismo abaixo da média histórica.
Segundo Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence, o PMI preliminar da zona do euro acende um alerta de estagflação. O conflito no Oriente Médio tem pressionado fortemente os preços ao mesmo tempo em que freia o crescimento econômico.
De acordo com ele, os custos das empresas avançam no ritmo mais intenso em mais de três anos, impulsionados pela alta da energia e pelos gargalos nas cadeias de suprimentos provocados pela guerra.
Os atrasos de fornecedores atingiram o maior nível desde meados de 2022, em grande parte por problemas no transporte marítimo.
“Os dados da pesquisa indicam que o crescimento do PIB da zona do euro está desacelerando para uma taxa trimestral de pouco menos de 0,1% em março, com os indicadores prospectivos apontando para um risco maior de recessão nos próximos meses. O indicador de preços da pesquisa, por sua vez, indica que a inflação de preços ao consumidor está acelerando para perto de 3%, com a pressão dos custos provavelmente contribuindo ainda mais para a inflação dos preços de venda nos próximos meses”, confirma.

