A corrida pelo governo do Distrito Federal em 2026 começa a ganhar forma com a proximidade de um prazo decisivo. Pelo menos três nomes já colocados como pré-candidatos terão que deixar funções públicas nas próximas semanas para viabilizar a entrada na disputa pelo Palácio do Buriti.
A exigência segue a regra da desincompatibilização eleitoral, que determina o afastamento de ocupantes de cargos no Executivo dentro de um período específico antes das eleições. Para 2026, uma das datas-chave é 04 de abril, correspondente ao limite de seis meses antes do primeiro turno.
Segundo o G1, esse prazo varia conforme a função exercida, mas atinge diretamente parte dos nomes que já se movimentam politicamente.
Quem precisa deixar o cargo?
Entre os pré-candidatos, o caso mais imediato é o de Leandro Grass. Atual presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ele ocupa um cargo em autarquia federal e, por isso, precisa se afastar dentro do prazo legal. Até o momento, no entanto, não divulgou oficialmente a data de saída.
Situação semelhante envolve Ricardo Cappelli, que comanda a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, a função exige desincompatibilização. Cappelli já confirmou que deixará o posto no dia 03 de abril, afirmando que a decisão é “um ato pessoal”.
A regra busca garantir igualdade de condições entre os candidatos, evitando que o uso da máquina pública beneficie quem está no exercício de cargos estratégicos.
Quem pode permanecer no cargo?
Nem todos os pré-candidatos, porém, precisam deixar suas funções. É o caso de Celina Leão, atual vice-governadora do Distrito Federal. Com a possível renúncia do governador Ibaneis Rocha para disputar o Senado, Celina deve assumir o comando do governo ainda neste ano.
Sendo assim, ela poderá concorrer ao governo sem precisar se afastar. A legislação permite que chefes do Executivo em exercício disputem a reeleição ou outro mandato mantendo o cargo.
Outro nome que não precisa cumprir o prazo de desincompatibilização é Paula Belmonte. Como deputada distrital, ela pode concorrer a outro cargo eletivo sem abrir mão do mandato atual.
Já José Roberto Arruda, ex-governador, também não se enquadra na regra por não ocupar função no Executivo. No entanto, enfrenta outro obstáculo: a necessidade de comprovar elegibilidade na Justiça Eleitoral.
Impasses jurídicos e cenário indefinido
No caso de Arruda, a disputa passa por uma interpretação jurídica. Ele foi considerado inelegível pelo Superior Tribunal de Justiça até 2032, após condenação por improbidade administrativa. Ainda assim, o político defende que uma mudança na legislação em 2025 permite seu retorno à disputa já em 2026.
A questão deverá ser analisada no momento do registro de candidatura, o que mantém o cenário em aberto.
Enquanto isso, os demais pré-candidatos avançam dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral e por decisões do Tribunal Superior Eleitoral. O cumprimento dos prazos é considerado essencial para evitar impugnações futuras.
Com o prazo legal se aproximando, o cenário eleitoral no Distrito Federal passa por ajustes importantes. O afastamento de ocupantes de cargos públicos abre espaço para uma atuação mais direta dos pré-candidatos, que devem intensificar compromissos políticos e articulações nas próximas semanas.

