A agenda econômica do governo de Lula entrou em nova fase de atenção ao custo de vida e ao crédito, diante do avanço do endividamento das famílias e de riscos externos. Entre discussões sobre o rotativo do cartão, decisões em aberto sobre juros, intervenções no câmbio e ajustes fiscais, o cenário combina sinais positivos, como arrecadação recorde, com pressões que afetam diretamente a popularidade do governo e o ritmo da economia.
O principal foco no curto prazo é o crédito caro. Segundo a Folha de S.Paulo, o governo avalia mudanças nas regras do rotativo do cartão de crédito, modalidade com alta inadimplência e juros elevados. O diagnóstico é de que o comprometimento da renda das famílias atingiu níveis históricos, cerca de 29% dos ganhos, o que reduz o impacto positivo da queda do desemprego e da inflação mais controlada.
No campo monetário, o Banco Central do Brasil indicou cautela. De acordo com a Folha de S.Paulo, a trajetória dos juros segue indefinida e dependerá da evolução do cenário internacional, especialmente da guerra no Oriente Médio. A incerteza externa tem potencial de afetar inflação, câmbio e decisões do Comitê de Política Monetária nas próximas reuniões.
Esse ambiente também levou o Banco Central a atuar no câmbio. Conforme o Estadão, a autoridade monetária realizou um leilão de US$ 1 bilhão para injetar liquidez e conter pressões de saída de dólares do país, em movimento visto como preventivo pelo mercado.
Arrecadação
Do lado fiscal, os dados são mistos. A arrecadação federal bateu recorde para fevereiro, com crescimento real de 5,68%, informou a Folha de S.Paulo, indicando atividade econômica resiliente. Ainda assim, o governo precisou bloquear R$ 1,6 bilhão do Orçamento para cumprir o limite de gastos, medida destacada por O Globo diante da dificuldade de conter despesas obrigatórias.
Medidas de estímulo também avançam. Segundo a Folha de S.Paulo, o Conselho Curador do FGTS aprovou a ampliação das faixas de renda e dos limites de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida, ampliando o acesso ao crédito imobiliário, especialmente para a classe média.
Combustíveis
Na área de combustíveis, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, propôs dividir com os estados o custo de um subsídio ao diesel importado. A iniciativa, segundo O Globo, busca conter preços sem abrir mão de arrecadação.
Já no campo dos investimentos, o leilão do Aeroporto Internacional Tom Jobim deve atrair forte disputa entre grandes operadores internacionais. De acordo com o Valor Econômico, o certame é visto com expectativa pelo mercado. Em contraste, o cancelamento de uma PPP de saneamento em Goiás, relatado pela Folha de S.Paulo, evidencia desafios na atração de investidores para alguns projetos.
Por fim, um acordo internacional firmado pelo governador Ronaldo Caiado para exploração de minerais críticos gerou controvérsia jurídica. Segundo a Folha de S.Paulo, o entendimento prevê acesso privilegiado de empresas dos EUA a dados estratégicos, levantando questionamentos sobre competência federal.

