Publicidade
Economia

Em quase um mês de guerra no Oriente Médio, como a economia global foi impactada?

A OCDE prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global diminua para 2,9% em 2026

Em quase um mês de guerra no Oriente Médio, como a economia global foi impactada?

O conflito em evolução no Oriente Médio acarreta custos humanos e econômicos para os países diretamente envolvidos e testará a resiliência da economia global. É o que indica um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta sexta-feira (26).

Publicidade

O bloqueio da passagem no Estreito de Ormuz e o fechamento ou dano à infraestrutura energética geraram um aumento nos preços do petróleo e interromperam o fornecimento global de energia e outras commodities importantes, como fertilizantes. Como mostrado pelo O Brasilianista, esse fechamento ainda impede a passagem de alimentos para boa parte dos países da região, incluindo o Irã.

Segundo a OCDE, a volatilidade nos mercados financeiros aumentou, particularmente em algumas economias asiáticas, e as condições financeiras se tornaram mais restritivas.

Visto que a abrangência e duração do conflito são incertos, um período prolongado de preços de energia mais altos aumentará consideravelmente os custos das empresas e elevará a inflação de preços ao consumidor, com consequências adversas para o crescimento.

Antes da escalada do conflito, a organização avalia que o crescimento global permaneceu resiliente, com a atividade impulsionada por fortes investimentos e produção relacionados à inteligência artificial (IA) e condições financeiras e fiscais favoráveis.

O relatório mostra que as expectativas de inflação de médio prazo também aumentaram após a alta dos preços da energia. No entanto, o aumento ocorrem em um momento em que a inflação permanece acima da meta em algumas das principais economias, incluindo Brasil, México, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

Nesse cenário, a OCDE prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global diminua para 2,9% em 2026, antes de subir para 3,0% em 2027.

“O aumento dos preços da energia e a natureza imprevisível do conflito em evolução no Oriente Médio elevarão os custos e diminuirão a demanda, compensando os efeitos positivos do forte investimento e produção relacionados à tecnologia, das menores taxas tarifárias efetivas e do impulso mantido desde 2025”, informa o relatório.

Vale destacar que essas projeções estão condicionadas a uma premissa técnica de que a crise se moderará ao longo do tempo, com os preços do petróleo, gás e fertilizantes caindo gradualmente a partir de meados de 2026.

Ainda, a OCDE projeta que o crescimento anual do PIB nos EUA diminua de 2,0% em 2026 para 1,7% em
2027, à medida que o forte investimento relacionado à IA for gradualmente compensado por uma desaceleração no crescimento da renda real e nos gastos do consumidor.

Por sua vez, o PIB da zona do euro deve arrefecer para 0,8% em 2026, à medida que os preços mais elevados da energia afetam a atividade, antes de aumentar para 1,2% em 2027, impulsionado por maiores gastos com defesa. Na China, o crescimento deverá desacelerar para 4,4% em 2026 e 4,3% em 2027.

Já a inflação dos países do G20 deverá ser 1,2 ponto percentual superior à previsão anterior em 2026, atingindo 4,0%, antes de recuar para 2,7% em 2027, com uma diminuição presumida das pressões sobre os preços da energia. A inflação nas economias avançadas do G20 deverá diminuir de 2,6% em 2026 para 2,3% em 2027.

“Um risco significativo para as perspectivas é que as interrupções persistentes nas exportações do Oriente Médio, que elevam os preços da energia ainda mais do que o previsto e agravam a escassez de commodities essenciais, aumentam a inflação e reduzem o crescimento. Tal cenário, ou retornos abaixo do esperado dos investimentos em IA, também poderia desencadear uma reprecificação mais ampla nos mercados financeiros, enfraquecendo a demanda e aumentando os riscos à estabilidade financeira”, comenta o relatório da OCDE.

Por outro lado, um setor empresarial surpreendentemente resiliente — que ainda não é possível definir — poderia impulsionar uma resolução mais rápida do conflito no Oriente Médio que reduza os preços da energia ou a ampliação dos investimentos em tecnologias de inteligência artificial que gerem ganhos de produtividade mais expressivos.

Diante do choque nos preços da energia, a OCDE ainda reitera que os bancos centrais precisam permanecer vigilantes e garantir que as expectativas de inflação permaneçam bem ancoradas.

“Ajustes na política monetária podem ser necessários se as pressões sobre os preços se ampliarem ou se as perspectivas de crescimento se deteriorarem substancialmente”, alega.

Veja mais notícias pelas redes sociais do O Brasilianista