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Geopolítica

Estreito de Ormuz fecha barreira para a alimentação de mais de 100 milhões de pessoas

Os preços de alimentos podem subir cerca de 6% para países do Oriente Médio se a região seguir em conflito

Estreito de Ormuz fecha barreira para a alimentação de mais de 100 milhões de pessoas

Em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz é uma das regiões mais afetadas pelos ataques.

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Dados de navegação mostrados pelo O Brasilianista mostram que pelo menos 150 navios-tanque, incluindo petroleiros e transportadores de gás natural liquefeito, estão ancorados em águas abertas do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz.

O local é a principal rota de exportação do mundo. O Estreito de Ortiz conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico.

Por isso, seu bloqueio é de extrema preocupação para os países que comercializam com essas regiões, especialmente conhecidas pela produção de commodities, como petróleo e gás natural — os combustíveis fósseis de maior demanda. A região transporta cerca de 20% do suprimento mundial.

No entanto, não é somente o petróleo que está comprometido, mas também o transporte de alimentos para cerca de 100 milhões de pessoas.

Segundo informações da CNN a guerra também afeta o abastecimento de alimentos na região. Isso porque a região transporta boa parte das importações dos países do Golfo Pérsico. A Arábia Saudita importa mais de 80% dos seus alimentos, os Emirados Árabes Unidos cerca de 90% e o Catar cerca de 98%. No Iraque, a maior parte das importações de alimentos passa pelo Estreito de Ormuz.

Com a hidrovia efetivamente fechada, os transportadores de alimentos estão se esforçando para encontrar rotas alternativas, o que pode encarecer o valor logístico e diminuir a oferta de produtos às populações.

Uma análise do Instituto de Kiel mostra que a disrrupção vai muito além do setor energético. Quando o fornecimento de energia é interrompido, os efeitos se propagam pela produção química até a agricultura. Os preços globais da energia sobem 5,4%, mas os preços dos alimentos acompanham com um aumento de 2,9% — bem acima do que os modelos comerciais padrão preveem.

Veja o aumento percentual de preço previsto com o fechamento do Estreito de Ormuz

Gráfico

Quem controla o Estreito de Ormuz?

Segundo o National Geographic, o Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.

São, no total, oito ilhas principais, sendo que sete delas são controladas pelo Irã. O país mantém forte presença militar na região desde a década de 1970 e, portanto, é um dos principais balizadores do preço do petróleo.

Por sua vez, a costa sul da região é controlada pelo Omã. Ainda assim, os Emirados Árabes Unidos tentam reivindicar soberania de algumas ilhas há anos.

Vale ressaltar que não existem rotas alternativas com a mesma capacidade de escoamento imediato, o que reforça a necessidade de paz na região.

Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia do mundo todo

O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.

Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.

Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

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