O Boletim Focus da última sexta-feira (27) de março mostra que as projeções do mercado financeiro para a economia brasileira indicam uma nova alta na expectativa de inflação para 2026. Também, aponta certa perspectiva de crescimento econômico cauteloso e relativa estabilidade em outros indicadores-chave.
A média das estimativas para o IPCA em 2026 subiu de 4,17% na semana anterior para 4,31%, marcando a terceira alta consecutiva. Há quatro semanas, a projeção era de 3,91%. Para 2027 a expectativa também avançou, passando de 3,80% para 3,84%. Em 2028, a estimativa foi revisada de 3,52% para 3,57%. 2029 permaneceu estável em 3,50%.
No curto prazo, as projeções mensais da inflação também apontam aceleração. Para março de 2026, a estimativa subiu de 0,37% para 0,46%. Em abril, a previsão avançou de 0,43% para 0,46%, e, em maio, de 0,30% para 0,31%. Já a inflação acumulada em 12 meses suavizada foi revisada de 4,07% para 4,10%.
O Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 teve leve ajuste positivo, passando de 1,84% para 1,85%, consolidando uma tendência de estabilidade nas últimas semanas. Para 2027 a projeção permaneceu em 1,80%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 seguem em 2,00%, sem alterações.
No mercado de câmbio, a expectativa para o dólar em 2026 foi mantida em R$ 5,40, mesmo patamar da semana anterior. Para 2027 a projeção também permaneceu estável em R$ 5,45, enquanto para 2028 e 2029 as estimativas seguem em R$ 5,50. No horizonte de curto prazo, as previsões mensais indicam estabilidade em torno de R$ 5,25 a R$ 5,27.
A taxa básica de juros (Selic) para 2026 permaneceu em 12,50% ao ano, sem alterações recentes. Para 2027, a projeção segue em 10,50%, enquanto para 2028 permanece em 10,00%. Já para 2029 houve leve alta, de 9,50% para 9,75%. No curto prazo, a expectativa para março de 2026 é de 14,50%, com projeções semelhantes para os meses seguintes.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) também apresentou revisão para cima. A projeção para 2026 avançou de 3,45% para 3,46%, enquanto para 2027 permaneceu em 4,00%. Para 2028 a estimativa subiu de 3,85% para 3,88%, e para 2029 passou de 3,74% para 3,75%. No recorte mensal as previsões indicam aumento contínuo entre março e abril, seguido de estabilidade em maio.
Os preços administrados tiveram elevação nas expectativas para 2026, passando de 4,02% para 4,27%. Para os anos seguintes, as projeções permanecem estáveis em torno de 3,50% a 3,77%.
Já no setor externo, a previsão para o déficit em conta corrente em 2026 foi revisada de US$ 66,80 bilhões para US$ 65,00 bilhões, indicando melhora. Para 2027 a estimativa se manteve em torno de US$ 65,00 bilhões, enquanto para 2028 e 2029 houve pequenas revisões, com tendência de redução gradual.
Investimentos
A balança comercial apresentou estabilidade para 2026, com superávit projetado em US$ 70,00 bilhões. Para 2027, a estimativa subiu levemente para US$ 73,05 bilhões. Em 2028, permanece em US$ 74,00 bilhões, enquanto para 2029 houve ajuste positivo, passando de US$ 75,09 bilhões para US$ 75,28 bilhões.
Os investimentos diretos no país seguem estáveis, com projeção de US$ 75,00 bilhões para 2026. Para os anos seguintes, as estimativas permanecem entre US$ 78,50 bilhões e US$ 80,00 bilhões, sem mudanças relevantes.
No campo fiscal, a dívida líquida do setor público em 2026 foi mantida em 69,90% do PIB. Para 2027 a projeção caiu levemente para 73,46%. Em 2028, recuou para 76,30%, enquanto para 2029 permanece em 78,80%.
O resultado primário continua negativo em 2026, com déficit de 0,50% do PIB, sem alterações. Para 2027 a estimativa foi mantida em -0,40%. Em 2028, permanece em -0,26%, enquanto para 2029 segue em -0,10%.
Já o resultado nominal apresenta déficit de 8,50% do PIB em 2026, mantendo estabilidade. Para 2027 a projeção segue em -8,00%. Em 2028 houve leve melhora para -7,54%, enquanto para 2029 a estimativa permanece em -7,27%.

