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Economia

Briefing: Governo aposta em pacote econômico e alívio ao crédito

Com indicadores positivos, mas renda comprometida por dívidas, Planalto articula medidas para estimular consumo

Briefing: Governo aposta em pacote econômico e alívio ao crédito

Em um cenário de crescimento econômico, inflação controlada e desemprego em níveis historicamente baixos, o presidente Lula intensificou a pressão interna por resultados e lançou mão de um conjunto de medidas para tentar reverter a preocupação dos brasileiros com a economia, tema que segue central nas pesquisas de opinião. Segundo o Estadão, o governo entrou no chamado “modo cobrança”, buscando acelerar entregas e melhorar a comunicação de suas ações.

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Apesar do ambiente macroeconômico favorável, o principal ponto de tensão está no orçamento das famílias. O alto nível de endividamento, que já alcança 49,69% da renda anual, de acordo com o Banco Central, acendeu um alerta no Planalto. Para enfrentar esse quadro, o governo estuda uma série de iniciativas, como a redução da conta de luz e mudanças no crédito rotativo do cartão, além da criação de uma linha de financiamento de cerca de R$ 7 bilhões via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou o Estadão.

A questão do crédito também mobiliza a equipe econômica. De acordo com O Globo, o Ministério da Fazenda negocia com bancos um novo programa de renegociação de dívidas, diferente do modelo do Desenrola. Hoje, quase um terço da renda das famílias (29,3%) está comprometido com dívidas, o maior nível da série histórica do Banco Central. Já a Folha de S.Paulo destaca que o governo avalia a criação de um fundo para facilitar a renegociação de débitos de famílias superendividadas, com juros menores e prazos mais longos.

Outro foco é o custo do crédito rotativo. A ministra Gleisi Hoffmann afirmou ao Valor Econômico que Lula pediu estudos sobre as taxas elevadas, que chegam a equivaler à taxa básica de juros mensalmente. A intenção é buscar alternativas que tornem o crédito menos oneroso ao consumidor.

Campo Fiscal

No campo fiscal, o governo também tomou medidas relevantes. Foi sancionada a reestruturação de carreiras do funcionalismo público, com impacto de até R$ 5,3 bilhões neste ano, segundo o Valor. Ao mesmo tempo, houve bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento para cumprir regras fiscais, atingindo despesas discricionárias, embora investimentos do PAC tenham sido preservados após ajustes.

Programas

Programas sociais também passaram por reformulações. O Valor informa que o governo revisou o Gás do Povo para facilitar o acesso ao benefício, permitindo a troca direta do botijão de gás. A medida faz parte de um conjunto mais amplo de ações com potencial de impacto direto na popularidade do governo.

No setor de energia, estados começaram a aderir ao subsídio federal ao diesel, com redução temporária no preço por litro. A iniciativa, segundo a Folha, prevê divisão do custo entre União e governos estaduais e já conta com adesões iniciais.

No cenário financeiro, a situação do Banco de Brasília (BRB) preocupa. De acordo com O Globo, o banco enfrenta dificuldades de caixa após problemas envolvendo carteiras de crédito e busca prazo junto ao Banco Central para viabilizar uma solução. Paralelamente, há articulações políticas para um possível socorro com participação de bancos públicos e recursos do Fundo Garantidor de Crédito.

Já no campo dos investimentos, o leilão do aeroporto do Galeão marcou a semana econômica. A espanhola Aena venceu a disputa com uma proposta de R$ 2,9 bilhões, consolidando sua posição como maior operadora aeroportuária do país, conforme destacou a Folha de S.Paulo.

No plano externo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou que o Brasil está em posição relativamente mais favorável que outras economias emergentes para enfrentar choques globais, como os efeitos da guerra no Oriente Médio, ainda segundo a Folha.

Por fim, no campo comercial, o avanço do acordo entre Mercosul e Efta ganhou destaque. Segundo o Valor Econômico, há pressão no Senado para que o governo envie rapidamente o texto ao Congresso, evitando atrasos provocados pelo calendário eleitoral.