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Justiça

Saiba quem são Beto Louco e Primo, citados em investigação com mais de mil postos de combustíveis

Empresários são apontados como centrais em estrutura investigada por ligação com organização criminosa no setor

Saiba quem são Beto Louco e Primo, citados em investigação com mais de mil postos de combustíveis

A investigação da Operação Carbono Oculto identificou mais de mil postos de combustíveis possivelmente ligados aos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de Primo.

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Segundo a Folha de S.Paulo, o número representa uma ampliação significativa em relação à fase inicial da apuração, que havia identificado cerca de 300 unidades.

O levantamento ainda está em fase de conclusão e considera dados obtidos a partir de documentos apreendidos durante a operação.

Os investigadores passaram a mapear novas redes com atuação em diferentes estados. A operação reúne órgãos como Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e Polícia Federal.

O foco é investigar a atuação de grupos estruturados no setor de combustíveis e sua inserção na economia formal.

Quem é Beto Louco?

De acordo com o Estadão, Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, é apontado como um dos principais articuladores de um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

As investigações indicam que ele atuaria na gestão financeira da estrutura. Isso inclui controle de empresas, fundos de investimento e mecanismos utilizados para movimentação de recursos.

Como apurado pelo O Brasilianista, Beto Louco teria participação direta na coordenação de operações que envolvem fraude fiscal, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro em diferentes etapas do setor.

Quem é Primo?

Segundo a Folha de S.Paulo, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, é descrito pelos investigadores como responsável pela organização central das operações.

Ele seria ligado à criação e controle de empresas que atuam na cadeia de combustíveis. Entre elas, estão postos, distribuidoras e estruturas registradas em nome de terceiros.

De acordo com o Estadão, Mourad também é apontado como operador de negócios que envolvem desde produção até comercialização, com atuação em diferentes níveis do setor.

Como funciona a estrutura?

Conforme a Folha de S.Paulo, a investigação identificou que parte das empresas estaria registrada em nome de laranjas, incluindo parentes e funcionários.

Esse modelo é utilizado para formalizar a posse de ativos sem vincular diretamente os investigados às operações.

Ainda como divulgado, redes de combustíveis e outras empresas mantinham conexão direta ou indireta com os dois empresários.

Alcance das operações

A Receita Federal estima que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Os valores envolvem atividades em diferentes áreas da cadeia de combustíveis, incluindo importação, distribuição e venda.

Como informado pelo O Brasilianista, o esquema também envolvia uso de empresas de fachada e estruturas financeiras para circulação de recursos.

Desdobramentos da apuração

Uma das frentes da investigação identificou um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 5 bilhões no Piauí.

O caso envolve atuação em estados como Maranhão e Tocantins e integra um dos núcleos analisados pela operação.

O Ministério Público apresentou denúncia contra 12 investigados relacionados a esse desdobramento. Investigadores analisam o uso de uma instituição de pagamento como principal meio de circulação de valores.

O modelo envolve contas que concentram recursos de diferentes clientes, o que dificulta a identificação das transações.

Presença internacional da facção

O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem ao menos 2.078 integrantes espalhados por 28 países, conforme levantamento do Ministério Público de São Paulo obtido pela GloboNews e pelo g1.

Os dados indicam que 1.092 desses membros estão presos fora do Brasil, enquanto os demais atuam em liberdade em diferentes regiões.

De acordo com o mapeamento, o Paraguai concentra o maior número de integrantes da facção, com 699 pessoas identificadas, sendo 341 detidas e 358 em liberdade.

Há também presença em países europeus como Espanha, França, Holanda e Irlanda, evidenciando a atuação do grupo em pelo menos quatro continentes.

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