Investigado pela Operação Carbono Oculto, Roberto Augusto Leme da Silva, também conhecido como “Beto Louco”, fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA). Ele está foragido.
O Brasilianista mostrou em janeiro deste ano que ele e “Primo”, o empresário Mohamad Hussein Mourad, avaliavam uma proposta com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre a operação que deflagrou fraudes na Faria Lima junto ao crime organizado e o PCC.
Eles teriam, na época, informações sobre o caso capazes de “derrubar metade do Congresso”. Segundo os investigados, parlamentares e autoridades recebiam mais de meio bilhão de reais em propinas. O envolvimento dessas pessoas seria comprovado com supostas mensagens do WhatsApp que mostrariam encontros com “laranjas” para distribuição de propinas em troca de “alívio” para o setor de combustíveis.
O acordo feito com o MP-BA foi conduzido pelo advogado Guilherme San Juan e as informações já foram utilizadas na operação Khalas, deflagrada pelo MP na última quinta-feira (21), com objetivo de desmantelar um esquema sistêmico de corrupção e sonegação de impostos que já custou cerca de R$ 400 milhões para o governo da Bahia e 111 milhões de litros de combustível adulterado.
O que diz a delação premiada de Beto Louco?
Apuração do Uol revelou que Beto Louco, mencionou o pagamento para integrantes do setor de combustíveis da Secretaria da Fazenda, como o auditor fiscal Olavo Oliva, integrante da Coordenação de Petróleo e Combustíveis da Sefaz-BA.
O empresário Cyro Valentini, dono da Dax Oil, refinaria de Camaçari (BA), também esteve entre os nomes delatados, além de revelar que o esquema funcionava com a importação de gasolina como nafta para pagar menos imposto.
Quando chegava ao Brasil, o produto era desviado para a “batedeira”, uma máquina em que os integrantes do esquema realizavam a adulteração do combustível. Em seguida, esse produto era distribuído aos postos de gasolina. Ou seja, a organização criminosa contornava a tributação de importação da gasolina, indicando que estaria refinando o material no Brasil.
Quem é Beto Louco?
O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, é apontado como um dos principais articuladores de um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações indicam que ele atuaria na gestão financeira da estrutura. Isso inclui controle de empresas, fundos de investimento e mecanismos utilizados para movimentação de recursos.
Como apurado pelo O Brasilianista, o homem teria participação direta na coordenação de operações que envolvem fraude fiscal, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro em diferentes etapas do setor.
O PCC hoje em dia
O Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma facção criminosa montada a partir de um time de futebol na Casa de Custódia de Taubaté, considerada a prisão mais segura do estado de São Paulo.
Ao mencionar uma facção criminosa, muitos podem pensar em tráfico de drogas e presídios. Porém, hoje, esse grupo atua muito mais em movimentação de dinheiro em larga escala.
Empresas, contas de terceiros, lavagem de dinheiro, movimentação em fintechs, em bancos digitais e circulação financeira que aparenta estar legalizada são os principais lugares em que o PCC atua.

