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Economia

Como vai ficar o futuro do BC depois do caso Master, de acordo com especialistas

A percepção de segurança deixa de ser inquestionável e passa a ser testada

Como vai ficar o futuro do BC depois do caso Master, de acordo com especialistas

Após o caso do Banco Master, a tendência é de que o Banco Central (BC) apresente um endurecimento em suas atividades.

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É o que indicam especialistas ao O Brasilianista. O caso deflagrou uma fraude de mais de R$ 50 bilhões, que não causou danos graves à solidez da economia, mas impacta fortemente na reputação da autoridade monetária, considerada até pouco tempo uma das mais seguras do mundo.

Thamiris Abdala, economista e CEO da Holding SM, avalia que a percepção de segurança deixa de ser inquestionável e passa a ser testada.

Segundo a especialista, o impacto imediato é reputacional, ainda que controlado. Já no médio e longo prazo, o efeito mais relevante é regulatório: o Banco Central tende a reforçar sua atuação, não apenas para corrigir falhas pontuais, mas para evitar que episódios semelhantes se repitam.

“Paradoxalmente, esse tipo de evento, quando bem gerido, acaba fortalecendo o sistema porque expõe fragilidades que passam a ser corrigidas”, avalia.

O Banco Central (BC), principal entidade monetária e responsável pelos rumos da economia brasileira, decretou a liquidação extrajudicial de diversas instituições ligadas ao grupo, atuando de forma adequada na contenção de danos da fraude em relação ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Apesar da reação do BC evitar a contaminação sistêmica do caso Master, episódios como esse levantam questionamentos legítimos sobre a capacidade de detecção antecipada de irregularidades, sugerindo espaço para evolução.

“Casos como esse pressionam o regulador a elevar o nível de exigência sobre o sistema financeiro.
Isso deve se traduzir em maior rigor na supervisão, ampliação de mecanismos de controle e uma atuação mais incisiva em relação a práticas de governança e compliance. Em outras palavras, o custo de operar fora dos padrões tende a aumentar significativamente“, alerta Abdala.

Esse cenário já está se tornando realidade, como é o caso da mudança na regulação de nomes de instituições financeiras e liquidações de empresas ao mínimo sinal de quebra de obrigações.

O que é liquidação extrajudicial?

A liquidação extrajudicial é um mecanismo utilizado pelo BC quando uma instituição financeira não consegue mais cumprir suas obrigações ou viola normas essenciais do setor. Ao ser decretada, a empresa tem seu funcionamento encerrado e passa por um processo organizado de retirada do Sistema Financeiro Nacional.

O regulador recorre à liquidação extrajudicial em casos de insolvência irreversível, quando a empresa não tem condições financeiras de se recuperar, ou diante de infrações graves às regras que regem o mercado financeiro.

Autonomia do Banco Central será essencial na nova etapa

Para o economista e Conselheiro do Corecon-SP, Adenauer Rockenmeyer, a autonomia do Banco Central é crucial para o sistema financeiro, pois promove decisões mais técnicas e menos sujeitas a influências políticas.

Dessa forma, as ações da diretoria do Bacen são fundamentadas em critérios técnicos, sem impactos das autoridades políticas.

“Essa característica é particularmente relevante, como demonstrado no caso Master, onde as decisões técnicas foram preponderantes, evitando a interferência de vieses políticos ou pressões externas. Consequentemente, a política institucional futura adquire maior solidez e previsibilidade técnica, minimizando os riscos associados à influência política nas decisões do Banco Central do Brasil. Essa postura fortalece a instituição e beneficia a economia brasileira”, explica.

Ou seja, a independência do Banco Central não é apenas uma melhoria institucional é uma condição essencial para a credibilidade econômica do país.

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