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Economia

BC deixa documentos da liquidação do Master sob sigilo até 2033

A medida não permite analisar mais informações sobre a dissolução do banco liquidado ou seus credores

BC deixa documentos da liquidação do Master sob sigilo até 2033

O Banco Central (BC) mantém os documentos da liquidação extrajudicial do Banco Master sob sigilo até 2033. Após um pedido feito pela CNN Brasil com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), a autarquia informou que os registros da liquidação só poderão ser divulgados em oito anos.

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A justificativa do BC é de que a abertura imediata das informações poderia comprometer o interesse público visto que o caso afeta a estabilidade financeira, econômica e monetária do país.

Além disso, o banco argumenta que parte do material envolve atividades de inteligência e procedimentos de fiscalização ainda em andamento. Dessa forma, uma possível divulgação poderia prejudicar ações de prevenção ou repressão a infrações no sistema financeiro.

Vale lembrar que a liquidação extrajudicial é um mecanismo utilizado pelo BC quando uma instituição financeira não consegue mais cumprir suas obrigações ou viola normas essenciais do setor. Ao ser decretada, a empresa tem seu funcionamento encerrado e passa por um processo organizado de retirada do Sistema Financeiro Nacional.

Na prática, todas as dívidas da instituição são consideradas vencidas, novas operações ficam proibidas e os credores precisam seguir um rito legal para tentar reaver valores devidos. As informações são da CNN.

O regulador recorre à liquidação extrajudicial em casos de insolvência irreversível, quando a empresa não tem condições financeiras de se recuperar, ou diante de infrações graves às regras que regem o mercado financeiro.

TCU questiona medida

O sigilo das informações da liquidação até novembro de 2033 levantou questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o InfoMoney, no fim de março, o ministro e relator das apurações da atuação do BC no caso Master, Jhonatan de Jesus, solicitou esclarecimentos formais sobre a necessidade do sigilo.

O ministro pediu que o órgão detalhe quais trechos do processo exigem restrição de acesso.

O que aconteceu com o Banco Master? Relembre

O caso tomou forte repercussão após a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma estatal, a fim de cobrir uma possível falência do banco privado.

No entanto, a investigação do Banco Central (BC) em relação à fraude do Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro começou ainda no ano passado. As suspeitas levaram à prisão do presidente do banco em novembro.

Segundo o Uol, Daniel Vorcaro, CEO da empresa, comprou a participação no banco em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno — e alto risco.

A carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos. No entanto, conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Funcionava assim: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil.

Empresas como o banco BTG tentaram comprar o Master para evitar a falência, mas os negócios não seguiram. Em análise do BTG, foi concluído que mais de 80% do dinheiro do banco de Vorcaro estava alocado em investimentos de risco.

O BC ficou de olho após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma estatal que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.

Em seguida, o BRB tentou comprar mais da metade do capital social do Master para evitar uma falência, no entanto a tentativa foi recusada pelo Banco Central.

Já em novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava o Master por fraudes em investimentos. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.

Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.

As investigações, que estavam em um tribunal de primeira instância, passaram ao ministro do STF, Dias Toffoli, após um pedido de uma das pessoas envolvidas no caso. As apurações estavam em sigilo até o início deste ano, mas já saíram das mãos do magistrado após questionamentos sobre sua conduta.

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