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Política

Aumento de fake news afasta cidadãos das instituições

Professor de Ciência Política concorda e diz que consumo de informações falsas impacta negativamente a democracia

Aumento de fake news afasta cidadãos das instituições

Em entrevista ao O Brasilianista, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que a internet intensifica a propagação de informações, o que exige respostas mais rápidas e eficazes por parte da Justiça Eleitoral. Segundo o ministro, a dinâmica das redes amplia o alcance de conteúdos enganosos e faz com que o combate à desinformação seja um dos principais pontos de atenção nas eleições de 2026.

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“O ambiente digital amplia a velocidade de circulação das informações, tornando o combate à desinformação um dos principais pontos de atenção no processo eleitoral”, diz Villas Bôas

De acordo com o ministro, a velocidade com que as notícias circulam nas plataformas digitais também coloca desafios operacionais e jurídicos, já que o monitoramento e a contenção de conteúdos falsos precisam acompanhar o ritmo acelerado das publicações.

A atuação institucional acaba ficando mais complexa, principalmente com o volume de informações compartilhadas diariamente.

O professor Catedrático de Ciência Política da universidade, Rei Juan Carlos, Manuel Villoria Mendieta, afirmou ao O Brasilianista que as chamadas “bolhas digitais” têm ampliado a distância entre os Estados modernos e a sociedade.

Para ele, a segmentação do consumo de informações contribui para a formação de ambientes isolados, nos quais os indivíduos passam a ter contato predominante com conteúdos que reforçam suas próprias visões.

“As bolhas digitais crescem a distância entre os Estados modernos e a sociedade. Isso dificulta o diálogo público e aprofunda a desconexão entre instituições e cidadãos”, diz Manuel Villoria Mendieta.

Segundo Mendieta, a ausência de um espaço comum de debate e a circulação de informações não verificadas compromete a construção de consensos e o funcionamento pleno das democracias.

Inquérito do fim do mundo

O Inquérito das Fake News, em tramitação no STF desde 2019, pode estar próximo do fim, segundo o presidente da Corte, Edson Fachin, que já discute o tema com outros ministros. A investigação apura ataques e campanhas de desinformação contra o tribunal.

Embora o regimento interno preveja duração de 60 dias, o inquérito se estende por quase sete anos, conforme destacou O Brasilianista. A OAB defende o encerramento de investigações prolongadas, alegando que a duração indefinida pode comprometer garantias como ampla defesa e liberdade de expressão.

Segundo a entidade, a ampliação do escopo e a inclusão de novos investigados nem sempre se relacionam ao objetivo inicial do caso. Já o relator, Alexandre de Moraes, prorrogou o inquérito para concluir diligências, incluindo depoimentos e análise de dados.

Na Rota das Fake News

Segundo os dados do Edelman Trust Barometer 2026, mundo vive hoje o auge da “crise da insularidade”, onde a divisão da verdade e o medo recorde de interferências externas estão destruindo a confiança social. No mundo, 65% das pessoas têm medo que potências estrangeiras contaminem os meios de comunicação com fake news para semear o caos. Esse índice sobe para 70% no Brasil.

O cenário criou bolhas de isolamento onde 72% dos brasileiros já não confiam em quem consome fontes de informação diferentes das suas, resultando numa queda drástica na procura por opiniões divergentes.

Além disso, as instituições estão colocadas também numa posição crítica. No Brasil, embora a maioria espere que a imprensa una o país, 37% aprovam a sua atuação atual. Sem referências comuns, a confiança migrou para círculos íntimos e para o ambiente de trabalho.

O impacto também já é económico, quase um terço dos profissionais brasileiros dizem que produziria menos ou pediria transferência para evitar líderes com ideologias opostas, sinalizando que a desinformação em 2026 está paralisando a cooperação e enfraquecendo democracias.

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