Flávio Bolsonaro (PL) é o principal candidato à presidência da República da direita em 2026. Enquanto seu principal oponente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já indicou que Geraldo Alckmin deve concorrer novamente como seu vice, a chapa da pré-campanha do senador ainda é uma incógnita.
Porém, de acordo com o Estadão, a certeza é de que o posto sairá da disputa entre dois nomes: a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo).
Quem defende Tereza Cristina argumenta que seria um passo importante ao agronegócio, que foi prejudicado pelo tarifaço dos Estados Unidos no ano passado. Além disso, a escolha de uma mulher poderia conquistar o eleitorado feminino.
Por outro lado, há aqueles que acreditam que a senadora como vice não traria efeitos reais, visto que os ruralistas já votariam em Flávio e as eleitoras mulheres são mais favoráveis ao filho de Jair Bolsonaro como candidato do que eram na época do pai.
O lado positivo de uma possível chapa com Zema, por sua vez, é o peso eleitoral de Minas Gerais sobre o nome. Em 2022, ele foi reeleito governador com 56,18% dos votos e o estado foi crucial na disputa presidencial das últimas eleições. O que afeta sua indicação, contudo, é a composição nas chapas em Minas Gerais.
Quem é Tereza Cristina?
Tereza Cristina Correa da Costa Dias, de 72 anos, é natural de Campo Grande (MS) e ocupa vaga no Senado desde 2023 pelo estado.
Formada em Engenharia Agrônoma na Universidade Federal de Viçosa Minas Gerais, é conhecida por defender a pauta agro no Parlamento.
De acordo com o Senado, a parlamentar já participou de diversas comissões durante o mandato, incluindo a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, Frente Parlamentar Mista pelo Fortalecimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Grupo de trabalho sobre regulamentação da mineração em terras indígenas e Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana.
Quem é Romeu Zema?
Eleito governador de Minas Gerais duas vezes, Romeu Zema é natural de Araxá, cidade do Alto Paranaíba. Sua campanha durou desde 2018, com reeleição em 2022.
Zema é formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e iniciou sua trajetória profissional cedo e, em 1991, assumiu o controle das Lojas Zema o que levou à expansão da linha para todo o Brasil.
Em 2018, Romeu Zema candidatou-se ao Governo de Minas Gerais, buscando levar sua experiência de gestor na iniciativa privada. Seus principais projetos envolveram a segurança pública e a mobilidade dentro do estado.
Quais mudanças esperar de um possível governo Flávio Bolsonaro?
Ana Prestes, analista internacional e Doutora em Ciência Política e História, avalia que Flávio Bolsonaro deve manter a mesma linha de Jair Bolsonaro em um possível mandato presidencial.
As prováveis mudanças de um governo Flávio Bolsonaro dependem de algumas condicionantes, de acordo com a especialista, como a composição do parlamento — que também deve mudar nas eleições de 2026 — e relação estabelecida com o Supremo Tribunal Federal (STF), bem como a composição dos governos dos estados.
Ou seja, o novo cenário vai ser determinado pelo ambiente político interno no Brasil e os fatores externos também.
“Essas mudanças podem ser um aprofundamento da linha da extrema direita no possível governo Flávio Bolsonaro com perda de direitos, principalmente para setores da sociedade como as mulheres e comunidade LGBTQIA+”, pondera Ana Prestes.
Para ela, é possível que haja perda de direitos também nas áreas como saúde, educação e serviço social. “Nós podemos ter um aprofundamento de medidas autoritárias e restrição da nossa democracia”, alega.
Nós podemos ter ambiente de perseguição Então, política à esquerda, como eles já tentaram fazer criminalização de partidos, como o próprio Partido Comunista, podem entrar nessa linha.
A probabilidade de diminuição do Estado com privatizações ainda é alta, causando um momento econômico que pode trazer certas dificuldades para o país.
Além disso, um cenário externo repleto de conflitos é muito diferente do que nas eleições presidenciais passadas. Nesse sentido, a cientista política relembra que diversas nações globais relevantes, bem como importantes para o Brasil são comandadas por líderes de extrema direita.
“Isso pode influenciar um governo Flávio Bolsonaro de se sentir ainda mais confortável para medidas autoritárias de cortes de direitos e neoliberais”, afirma.

