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Economia

Briefing: Economia brasileira enfrenta pressão interna e incertezas globais

Com juros elevados, alta do endividamento e inflação em revisão, governo estuda uso do FGTS para aliviar famílias

Briefing: Economia brasileira enfrenta pressão interna e incertezas globais

A economia brasileira atravessa um momento de forte pressão interna combinada a incertezas no cenário externo, com impactos diretos sobre famílias, empresas e decisões do governo. Entre as principais medidas em estudo, segundo O Globo, está a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o refinanciamento de dívidas das famílias.

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A proposta, discutida pelo Ministério da Fazenda em conjunto com o Ministério do Trabalho, busca reduzir o comprometimento de renda, mas levanta preocupações sobre a preservação do fundo como proteção ao trabalhador em caso de desemprego. A medida integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas ao enfrentamento do endividamento, incluindo também o uso do FGTS como garantia em operações de crédito consignado privado.

Ao mesmo tempo, o ambiente de juros elevados segue pressionando o setor produtivo. De acordo com o Estadão, a taxa básica em torno de 15% ao ano contribuiu para um recorde de recuperações judiciais em 2025, com 2.466 empresas recorrendo à Justiça, alta de 13% em relação ao ano anterior. Embora o número de processos, que podem englobar vários CNPJs, cresça em ritmo menor, especialistas apontam que o volume ainda é alarmante e reflete a dificuldade das empresas em lidar com o custo do crédito elevado.

Apesar desse cenário adverso, há sinais de dinamismo em algumas frentes. O Valor Econômico destaca que o mercado de fusões e aquisições movimentou US$ 15,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 30% na comparação anual. O crescimento, no entanto, ocorreu com redução no número de operações, indicando maior concentração em negócios de grande porte e uma antecipação de decisões estratégicas antes do ciclo eleitoral.

Inflação

No campo inflacionário, as perspectivas seguem desafiadoras. Segundo a Folha de S.Paulo, as projeções de inflação vêm sendo revisadas para cima, influenciadas pela guerra no Oriente Médio e pelo risco de ocorrência do fenômeno climático El Niño, que pode afetar a produção de alimentos e pressionar preços. Ainda no cenário internacional, o anúncio de um cessar-fogo envolvendo o Irã provocou forte queda nos preços do petróleo, também reportada pela Folha, com impacto imediato sobre os mercados globais e potenciais reflexos sobre a inflação.

Comércio exterior

No comércio exterior, os dados mais recentes indicam perda de fôlego. Conforme O Globo, o Brasil registrou superávit de US$ 6,4 bilhões em março de 2026, mas com queda de 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, o pior desempenho para o mês em seis anos. O Valor Econômico observa que, embora as exportações tenham crescido, as importações avançaram em ritmo mais acelerado. O petróleo foi o principal destaque positivo nas vendas externas, enquanto as exportações para os Estados Unidos recuaram, influenciadas pela política tarifária americana.

Ao mesmo tempo, surgem oportunidades no comércio internacional. O acordo entre Mercosul e União Europeia, segundo o Valor, deve favorecer inicialmente produtos agroindustriais de maior valor agregado, ampliando gradualmente o acesso do agronegócio brasileiro ao mercado europeu. Por outro lado, o país também enfrenta desafios, como a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301, que apura práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, etanol e propriedade intelectual.