O governo federal anunciou nesta quarta-feira (8) que o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, será realocado para a função de secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento. As informações são do g1.
Dessa forma, Mello fará parte da equipe do Ministério do Planejamento, sob o comando de Bruno Moretti desde a saída de Simone Tebet, que deve concorrer a uma vaga no Senado pelo estado de São Paulo (SP).
Vale lembrar que Mello era um dos nomes que o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recomendou ao presidente Lula (PT) em fevereiro deste ano para um dos cargos da diretoria do Banco Central (BC). O BC é responsável por fixar a taxa básica de juros, a Selic, para conter a inflação.
Na ocasião, logo antes da segunda reunião do Copom, sua indicação repercutiu mal entre analistas do mercado financeiro. Segundo eles, o perfil mais favorável a um corte rápido de juros de Mello fomentou a reação receosa, com medo de que a medida pudesse prejudicar o controle da inflação.
Quem é Guilherme Mello?
Como divulgado pelo Ministério da Fazenda, à frente da Secretaria de Política Econômica desde 2023, Mello coordena a produção de cenários oficiais de inflação, crescimento e resultado fiscal utilizados pelo governo.
É graduado em Ciências Sociais pela USP e em Ciências Econômicas pela PUC-SP, com mestrado em Economia Política e doutorado em Ciência Econômica.
No ambiente universitário, atuou como professor do Instituto de Economia da Unicamp, onde também coordenou o programa de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico.
Segundo o portal VEJA, antes de chegar ao ministério, o economista participou de grupos técnicos que discutiram diretrizes econômicas e integrou a equipe de transição do atual governo.
Na função atual, é o responsável por organizar estudos e estimativas que orientam decisões fiscais e macroeconômicas do Executivo.
Essa atuação o colocou no centro das discussões técnicas que sustentam medidas econômicas e respostas a choques externos.
O perfil acadêmico e a ligação com a Unicamp
Como apurado pelo BBC News Brasil, professor licenciado da Unicamp, Mello integra o grupo conhecido como “economistas da Unicamp”, identificado por defender maior protagonismo do Estado na economia.
Essa formação o diferencia de parte dos atuais diretores da autoridade monetária, que têm histórico no mercado financeiro ou na carreira pública.
Para o economista Carlos Kawall, ouvido pela BBC, a diretoria de Política Econômica é estratégica. “A direção de Política Econômica é o coração da política monetária. Ela tem o papel de formulação, de modelagem, pesquisa, produção de relatórios e estudos. É essa diretoria que dá o tom da condução da política monetária. Claro que as decisões são colegiadas, mas essa diretoria tem um peso importante”, disse Kawall.
O que ele pensa sobre juros e política monetária?
De acordo com a Agência InfoMoney, em entrevista concedida em novembro, ao comentar as perspectivas de inflação e atividade, Mello avaliou que o cenário permitiria revisão na condução da política monetária.
“O ministro Fernando Haddad tem confiança nessa trajetória que nossos números, números do BC, e até, em certa medida, os números do mercado mostram, que é o seguinte: vamos ter uma convergência da inflação para meta (de 3%), ela vai levar tempo, não vai ser imediata, assim como vamos ter um ciclo compatível com o nosso potencial daqui para frente. E essa trajetória é uma trajetória benigna que possibilita uma mudança na postura da política monetária”, declarou Mello.
Ele acrescentou: “(A mudança na trajetória) não (seria) também imediata, de ultra restritiva para neutra ou expansiva, não é isso que se fala. O questionamento não é acerca da trajetória, isso todo mundo concorda. A discussão gira em torno do momento, de quando.”

