Pouco mais da metade dos eleitores brasileiros (51,4%) indicaram na pesquisa Meio/Ideia de abril que podem mudar de candidato à Presidência da República até outubro deste ano.
De acordo com o Broadcast, o dado representa um aumento em relação a janeiro, quando apenas 35,5% admitiam essa possibilidade.
Vale destacar que a possibilidade de mudar de candidato se mostrou maios entre as opções voltadas à direita política, visto que concentra o maior número de pré-candidatos até o momento. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 60,4% admitem que podem trocar de candidato, enquanto 69,4% dos de Ronaldo Caiado (PSD) revelam o mesmo. Já os brasileiros que pretendem votar em Lula (PT), mas alertaram que podem mudar de ideia, a proporção cai para 26,6%.
Os indecisos superaram os decididos pela primeira vez em abril. Os eleitores que tinham certeza do voto em janeiro representavam 64,5% dos entrevistados. Agora, eles são 48,6%.
Terceira via é possível?
O cenário cria uma dúvida: isso quer dizer que uma terceira via é possível de se concretizar até outubro?
Para o colunista do O Brasilianista, Cristiano Noronha, a disputa presidencial deste ano está polarizada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Juntos, dependendo do instituto de pesquisa e do cenário avaliado, as duas candidaturas somam em torno de 70% a 80% dos votos. E essa votação está significativamente consolidada, visto que as demais opções somam em torno de 10% a 15% dos votos.
É fato, porém, que tanto Lula quanto Flávio apresentam também índice de rejeição elevado. Mas isso não é suficiente para garantir espaço para que uma terceira via se estabilize.
Segundo Noronha, basta olhar para 2022. De acordo com o Datafolha, às vésperas do primeiro e do segundo turnos naquele ano, o percentual de eleitores que afirmavam que não votariam em Lula de jeito nenhum oscilava entre 47% e 48%. A Genial/Quaest trazia um índice de 48%. Mesmo assim, Lula recebeu 48,43% dos votos válidos no primeiro turno e 50,90% no segundo.
A rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda de acordo com o Datafolha, estava entre 50% e 51%. Pela Genial/Quaest, ficava em 44%. Bolsonaro teve 43,20% dos votos válidos no primeiro turno e 49,10% no segundo.
Para que uma terceira via se viabilize tanto Lula quanto Flávio teriam de perder votos de uma forma bastante acentuada. No momento, não parece ser o cenário mais provável.
Terceira via não deve ser descartada
Em avaliação sobre a possibilidade de um novo candidato ocupar o cargo de chefe do Executivo, Ariel Calmon, coordenador de Análise Política da BMJ Consultores, avaliou à esta reportagem do O Brasilianista que a viabilidade de um terceiro nome ganhar força em 2026 frente a Lula e a Flávio Bolsonaro não deve ser totalmente descartada. Na opinião do especialista, há um eleitorado que aparenta estar cansado da polarização e que pode aderir a uma alternativa. No entanto, esse movimento dependeria de condições específicas que, até o momento, não se materializaram.
“Para que uma candidatura de terceira via ganhe tração, a unificação precoce do campo de centro em torno de um único nome, a construção de uma narrativa própria que vá além da rejeição aos polos, e a formação de uma estrutura nacional robusta, com alianças e capilaridade regional, são fatores decisivos. Além disso, crises políticas ou econômicas podem reconfigurar o cenário e abrir espaço para alternativas. Sem esses elementos, a tendência é de manutenção da polarização”, disse.
Em 2026, ao menos oito nomes desistiram de disputar a corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto. Possibilidades como Joaquim Barbosa, Sergio Moro, João Doria e Luciano Huck, por exemplo, recuaram antes mesmo do início formal das campanhas em diferentes momentos, segundo Calmon.

