O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (15) que poderá demitir o atual presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, caso ele não deixe o cargo após a posse de um novo indicado.
A declaração foi dada ao comentar a sucessão no comando do banco central americano, em meio a uma investigação contra Powell e à expectativa de aprovação do nome de Kevin Warsh pelo Senado, como informou o G1.
Declaração eleva pressão sobre comando do Fed
Trump fez uma ameaça direta ao tratar da permanência de Powell na presidência do Federal Reserve. “Se ele não sair, terei que demiti-lo”, afirmou, ao comentar a possível transição no comando da instituição.
A fala ocorre após o anúncio da indicação de Kevin Warsh, feita em janeiro, e que ainda depende de aval do Senado norte-americano. Trump também declarou esperar que o novo nome seja confirmado em breve.
O presidente indicou que acredita em mudanças na política monetária com a troca no comando, incluindo a possibilidade de redução das taxas de juros.
Embate histórico por política de juros
Como divulgado pelo O Brasilianista, a relação entre o presidente dos Estados Unidos e o chefe do Fed foi marcada por divergências constantes ao longo de 2025.
As críticas de Trump estavam centradas na condução da política monetária, com pressão para cortes mais rápidos e profundos nas taxas de juros. Mesmo diante dessas cobranças, o Federal Reserve optou por uma atuação mais cautelosa.
O conflito se intensificou com o tempo, incluindo ataques verbais diretos ao presidente do banco central, enquanto Powell manteve postura técnica e evitou responder publicamente às críticas.
Perfil de Powell e peso das decisões
De acordo com a reportagem do O Brasilianista, o atual presidente do Fed tem trajetória no mercado financeiro e foi indicado ao cargo pelo próprio Trump em 2018.
Jerome Hayden Powell também foi reconduzido posteriormente ao posto, após aprovação do Senado, e exerce papel central na economia global ao definir a taxa básica de juros dos Estados Unidos.
Investigação e nova escalada do conflito
Como informou O Brasilianista, o atual momento inclui uma investigação criminal envolvendo Powell, relacionada a um depoimento sobre reforma na sede da instituição.
No contexto dessa apuração, Powell afirmou que há pressão política sobre o banco central. “A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público”, declarou.
Também aponta que a investigação e as declarações públicas aumentam a tensão entre Executivo e autoridade monetária, com reflexos no debate institucional.
Disputa institucional e efeitos no cenário econômico
O embate entre Trump e Powell passou a ser visto como um teste para a autonomia do Federal Reserve, diante da pressão política sobre decisões técnicas.
A possibilidade de troca no comando da instituição ocorre em um momento em que o banco central enfrenta desafios relacionados à inflação e à condução da política de juros.
Esse cenário amplia a atenção do mercado financeiro global, já que mudanças na liderança do Fed podem influenciar expectativas econômicas e decisões de investimento.
A indicação de Kevin Warsh segue em análise no Senado dos Estados Unidos e deve definir os próximos passos na disputa pelo comando do banco central.
Papel do banco central dos EUA na economia global
O Federal Reserve é o banco central dos Estados Unidos e exerce funções centrais para o funcionamento da economia do país.
Entre suas atribuições estão a condução da política monetária, com o objetivo de promover o máximo nível de emprego, manter a estabilidade de preços e garantir taxas de juros de longo prazo moderadas.
A instituição também atua na supervisão do sistema financeiro, buscando reduzir riscos e assegurar a estabilidade das instituições bancárias.
Além disso, o Fed desempenha papel relevante na operação dos sistemas de pagamento e na regulação do setor financeiro, incluindo ações voltadas à proteção do consumidor e ao desenvolvimento econômico.
Como responsável por decisões sobre juros e liquidez, o banco central influencia diretamente o crédito, o consumo e os investimentos dentro dos Estados Unidos.
O impacto dessas decisões ultrapassa as fronteiras americanas porque o país possui a maior economia do mundo e o dólar é a principal moeda utilizada em transações internacionais.
Alterações na taxa de juros definidas pelo Fed afetam o fluxo de capitais, o câmbio e o custo de financiamento em diversos países, o que amplia sua influência sobre mercados globais e políticas econômicas ao redor do mundo.

