O deputado federal Alfredo Gaspar (PL) afirmou que a sensação de insegurança domina atualmente a população brasileira, atingindo diferentes camadas sociais e impactando diretamente a percepção sobre o sistema de segurança pública.
Durante entrevista para Murillo de Aragão ao canal Arko Advice, ele declarou que “o pior que acontece hoje em relação à sociedade discutindo segurança pública é a sensação de insegurança”, ao citar dados como mais de 35 mil assassinatos por ano e o crescimento de crimes patrimoniais e sexuais no país.
Avaliação sobre criminalidade no país
Ao longo da entrevista, Alfredo Gaspar descreveu um cenário em que o crime organizado atua de forma estruturada em diferentes regiões, com influência crescente em grandes centros urbanos.
Ele mencionou que dinâmicas observadas em estados como São Paulo e Rio de Janeiro acabam se expandindo para outras localidades, ampliando o alcance das organizações criminosas.
O parlamentar defendeu a necessidade de uma mudança de postura por parte do Estado, com ações preventivas e maior rigor na aplicação das leis.
Ele afirmou que, “o Brasil está precisando de um choque de ordem contra o crime organizado”, ao destacar a importância de respostas mais firmes diante do avanço das facções.
Ele também apontou que a política de segurança pública tem sido conduzida de forma reativa, com foco em responder a crises já instaladas.
Segundo o deputado, esse modelo não tem conseguido reduzir a sensação de insegurança percebida pela população.
Críticas à legislação e propostas em debate
Durante a conversa, Alfredo Gaspar avaliou propostas legislativas em discussão, incluindo a Proposta de Emenda à Constituição voltada ao sistema de segurança pública. Para ele, o texto enviado pelo governo federal não apresenta mudanças estruturais significativas.
“O conteúdo dela enviado pelo governo federal não muda em absolutamente a atuação do sistema de segurança”, declarou, ao argumentar que o país já possui instrumentos legais que poderiam ser mais efetivos se aplicados de forma adequada.
O deputado também mencionou propostas relacionadas ao combate às facções criminosas e afirmou ter participado da elaboração de um projeto com mais de 100 artigos sobre o tema.
Segundo ele, medidas mais rígidas seriam necessárias para enfrentar organizações com atuação semelhante a estruturas mafiosas.
Além disso, defendeu o endurecimento das penas e criticou o que classificou como excesso de benefícios legais a condenados, apontando dificuldades na responsabilização de autores de crimes graves.
Influência social
Outro ponto abordado foi o impacto de fatores sociais e culturais na criminalidade, especialmente em regiões com forte presença de organizações criminosas.
Alfredo Gaspar afirmou que, em determinadas localidades, jovens são expostos a dinâmicas que dificultam a atuação do Estado.
“O ambiente em si modifica muito a personalidade”, disse, ao relatar situações em que adolescentes têm acesso facilitado a armas e passam a integrar atividades ilícitas ainda na juventude.
Ele também mencionou a relação entre impunidade e comportamento social, afirmando que exemplos vindos de instâncias superiores podem influenciar a percepção coletiva sobre o cumprimento das leis.
No campo político, o deputado declarou que há resistência à aprovação de medidas mais rígidas, em parte devido ao receio de que novas regras possam atingir agentes públicos.
Segundo ele, “todo mundo olha para o seu próprio umbigo” ao tratar de mudanças legislativas nessa área.
Expansão das facções
Alfredo Gaspar também comentou o crescimento econômico de organizações criminosas, destacando a ampliação de receitas e a diversificação de atividades ilícitas.
Ele citou o aumento da arrecadação de facções ao longo dos últimos anos, com atuação em diferentes regiões do país.
O deputado afirmou que o Brasil se tornou um dos principais mercados consumidores de drogas e um corredor relevante para o tráfico internacional, mencionando fragilidades em portos, aeroportos e fronteiras.
Além disso, destacou a presença dessas organizações na economia formal, com práticas de lavagem de dinheiro em grande escala.
Para ele, o combate ao crime exige integração entre União, estados e municípios, com políticas coordenadas entre os diferentes níveis de governo.
Relação entre poderes e cenário institucional
Na parte final da entrevista, Alfredo Gaspar abordou a relação entre os poderes da República e apontou tensões institucionais.
Ele afirmou que o Congresso Nacional perdeu protagonismo ao longo dos anos, em meio a investigações envolvendo parlamentares.
“O Congresso passou a se apequenar quando muita gente integrante do parlamento passou a responder processo”, declarou, ao comentar o impacto desse contexto sobre a atuação legislativa.
O deputado também fez críticas à atuação do Judiciário, afirmando que há interferência sobre o Legislativo.
Em uma das declarações, disse que “o judiciário hoje se sobrepõe ao parlamento trabalhando o medo”, ao citar pressões sobre parlamentares.
Segundo ele, o Senado deve ter papel central nos próximos anos, especialmente diante de debates institucionais e eleitorais.
O parlamentar defendeu que o Congresso exerça suas atribuições com maior autonomia e ressaltou a importância do equilíbrio entre os poderes.

