Após enfrentar muitos problemas em sua campanha presidencial, por conta de sua ligação com Daniel Vorcaro e sua briga familiar com Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro anunciou, nesta quarta-feira (5), o deputado federal Alfredo Gaspar como seu candidato a vice na campanha presidencial deste ano.
Antes de entrar para a política, Alfredo Gaspar foi promotor de Justiça do Ministério Público de Alagoas (MPAL). Nas eleições de 2022, Gaspar fera filiado ao União Brasil e foi eleito como segundo deputado federal mais votado no estado, com 102.039 votos, atrás apenas de Arthur Lira, que recebeu 219.452 votos.
O nome do deputado federal em fim de mandato e que pretendia disputar uma vaga ao Senado acrescenta duas competências à campanha de Flávio: a lisura e a seriedade que acompanham a imagem do Ministério Público por todo o Brasil e o destaque dado a uma pessoa nascida e criada no Nordeste, região em que Lula mais tem votos.
É bem verdade que o eleitor brasileiro médio, ao contrário daquele que acompanha detalhadamente a política, não liga muito para o candidato a vice, pois sempre foca naquele que encabeça a chapa.
A esquerda votou em Lula nas eleições de 2002 e de 2006 mesmo com o vice sendo José Alencar — então filiado ao Partido da República, atual PL de Valdemar Costa Neto que hoje apoia o bolsonarismo. Esse mesmo grupo ideológico votou em Dilma no pleito de 2010 apesar de o companheiro de chapa da então candidata à Presidência ter sido Michel Temer, que assumiu o lugar da petista após o impeachment, em 2015.
Porém, no caso de Flávio, Gaspar pode garantir palanques eleitorais que ajudem a campanha bolsonarista a reduzir a diferença de votos que hoje existe em relação a Lula no Nordeste. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) mostrou que, na Região, o petista venceria o filho de Jair Bolsonaro no 1º turno, com 59% dos votos, enquanto o senador registra apenas 20% de preferência entre os eleitores.
A escolha de Alfredo Gaspar abre caminho para a eleição de Arthur Lira ao Senado e leva a crer que, nos bastidores, o PP vai ajudar a campanha presidencial do PL. Na disputa pelas duas vagas alagoanas no Senado, Gaspar liderava as intenções de votos com pouco mais de 40%, seguido por Arthur Lira (39,8%) e Renan Calheiros (36,4%).
A saída de Gaspar praticamente garante as vitórias de Lira e Renan no pleito deste ano. Esse contexto também indica que o MDB, se não influenciou na escolha do PL por Gaspar, pelo menos comemorou a escolha, pois Lira está cada vez mais forte no estado, ameaçando o reinado dos Calheiros.
Aliados e ausentes
Apesar de ter perdoado o enteado, Michelle Bolsonaro não participou do evento que anunciou Alfredo Gaspar como vice de Flávio. A ex-primeira-dama também não participou da convenção do PL que oficializou sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
Contudo, Michelle cumpriu o protocolar e publicou uma foto nas redes socias em apoio a chapa do PL.
Mesmo sem apoio explícito do Centrão, Flávio Bolsonaro fez questão de destacar a presença no evento de Tereza Cristina e Damares Alves, senadoras pelo PP de Mato Grosso do Sul e Republicanos do Distrito Federal, respectivamente.
O candidato à Presidência também citou o apoio de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo filiado ao Republicanos, e de Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo filiado ao MDB.
As menções são o que resta a Flávio para mostrar ao eleitor que tem uma “frente ampla” para derrotar Lula. Resta saber o quanto esses nomes irão se empenhar em defender e divulgar o nome do candidato junto aos eleitores.

