A Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na manhã desta quinta-feira (16). A prisão foi feita em Brasília (DF), na quarta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Costa recebeu propina para facilitar a compra de ativos sem lastro do Banco Master pelo BRB. A PF descobriu que os pagamentos ilícitos somam R$ 146 milhões e foram feitos por meio de transferências ocultas de seis imóveis de luxo localizados em São Paulo (SP) e na capita federal.
Paulo Henrique Costa comandou o BRB de 2019 até novembro de 2025, quando foi afastado do cargo por decisão judicial durante uma etapa anterior da mesma operação. A defesa do ex-executivo já havia negado irregularidades em manifestações passadas, afirmando que as decisões do banco eram colegiadas e seguiam práticas de mercado.
A operação de hoje também prendeu o advogado Daniel Monteiro, sob suspeita de estruturar o esquema de lavagem de dinheiro e redigir contratos fraudulentos. Relatórios de auditoria indicam que o BRB adquiriu cerca de 21,9 bilhões de reais em carteiras nebulosas do Banco Master em 2024 e 2025.
O BRB e o Master

Investigações da PF e relatórios de órgãos de controle detalham como se deu a participação do BRB em operações financeiras com o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) aponta fragilidades no plano de recuperação do banco público e monitora o risco de um rombo financeiro que pode atingir R$ 30 bilhões.
As análises indicam que o modelo de negócios do Master baseia-se na aquisição de instituições financeiras em crise e ativos estressados, o que gera questionamentos sobre a sustentabilidade das garantias oferecidas ao banco estatal. A PF apurou que o Master tentou transferir carteiras de ativos podres ao BRB.
Documentos apreendidos, incluindo uma agenda, registram conversas sobre a aquisição desses créditos. Vorcaro confirmou em depoimento contatos com o governador Ibaneis Rocha para tratar de negócios entre as instituições.
Noutra conversa, dessa vez com Costa, Ibaneis cobrou a conclusão da compra do Master pelo BRB. O ex-governador do DF que sonha em ser senador disse ao ex-executivo do Banco de Brasília que operação estava gerando “mais desgaste do que deveria” e que “não iria suportar esse desgaste”.
A investigação também aponta uma ligação entre a Reag Investimentos, o BRB e o escritório de advocacia do governador. O cenário amplia o custo político para o governo do Distrito Federal, dado o risco de contágio da imagem da administração pública por operações bancárias sob suspeita.
Um relatório de auditoria identificou um aporte de R$ 1 bilhão no BRB realizado por Vorcaro e pelo fundador da Reag. Paralelamente, a PF mira um contrato do TJBA com o BRB em investigação sobre o mesmo esquema financeiro.
No âmbito legislativo, deputados distritais demonstraram temor quanto à solvência do banco devido ao histórico de rombos deixados pelo Banco Master em outras operações. Diante do avanço das apurações, o ex-presidente do BRB avalia a possibilidade de uma delação premiada sobre as conexões entre o banco, o empresário e a administração do Distrito Federal.
Vorcaro nega influência política, afirmando que sua situação jurídica e o uso de tornozeleira eletrônica refutam a tese de proximidade com o governo.

