Utilizada como principal instrumento de política monetária pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação do país, a Selic, a taxa básica de juros, é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde junho de 1996. O cenário em 2026, no entanto, é diferente, marcado por novos desafios econômicos que mantêm a taxa em patamares considerados elevados.
Atualmente, a taxa Selic está estabelecida em 14,75%, o que reflete um ambiente de pressão tanto interna quanto externa. Apesar do atual nível elevado de juros, nas duas primeiras reuniões do Copom, a taxa, até então chamada de Taxa Básica do Banco Central (TBC), foi fixada em 1,90%. Já na terceira reunião, realizada em agosto daquele mesmo ano, o colegiado iniciou um ciclo de cortes, reduzindo a taxa para 1,88% e, posteriormente, para 1,82%.
Hiperflação
Na primeira reunião de 1997, realizada em janeiro, a Selic foi fixada em 1,70%, em um cenário alinhado às expectativas para a economia brasileira e internacional. No entanto, ao longo daquele mesmo ano, a taxa básica de juros atingiu patamares extremamente elevados, chegando a 38% ao ano, em resposta às pressões inflacionárias e às instabilidades econômicas do período. Apesar disso, até então, o país ainda lidava com os efeitos de um histórico recente de descontrole econômico.
Conforme os registros do Banco Central, nos anos seguintes, o cenário foi de busca por redução, com algumas oscilações tanto de queda quanto de aumento, mas sem grandes surpresas. Em 1999, a Selic voltou a bater patamares fora do comum, com índices que passaram de 19% para 29%. Em março do mesmo ano, a taxa foi de 45%, mesmo período em que houve mudanças nas condições operacionais das linhas de assistência financeira, segundo a Ata da 34ª Reunião do Copom de abril.
Nos anos seguintes, a Selic apresentou maior estabilidade, mas permaneceu em patamares superiores aos atuais. Em 2005, por exemplo, a taxa atingiu 19,75% em três reuniões consecutivas. O movimento entre 2007 e 2013 foi de redução da taxa de juros no país, ficando na faixa de 13% a 7,25%. Nos anos seguintes, o movimento foi de alta, com poucas oscilações importantes, alcançando níveis entre 9,50% e 14,25% em 2016.
Período pré e pós-pandemia da Covid-19
Em um cenário de maior conforto econômico, a taxa básica de juros passou a sofrer queda em 2018. De acordo com a Ata da 213ª Reunião do Copom, o país operava em alto nível de inatividade dos fatores de produção, mas o cenário externo era mais favorável no momento, o que incentivou a recuperação da situação financeira do país. Diante disso, a Selic ficou estabelecida em 6,75% e depois foi reduzida para 6,50%, permanecendo nesse patamar até julho de 2019.
Em 2019, o mundo foi impactado pela disseminação do coronavírus, responsável por uma infecção respiratória aguda grave que trouxe reflexos não apenas para a saúde da população, mas também para a economia global. Naquele momento, a taxa de juros já estava em trajetória de queda, chegando a 5% ao ano. Diante dos efeitos, o Copom decidiu, em 2020, intensificar o ciclo de cortes na Selic, com o objetivo de conter a desaceleração do crescimento econômico, reduzindo a taxa para 3% e, posteriormente, para 2%.
Contudo, o movimento de reajuste da taxa de juros não demorou para aparecer. Em 2021, a Selic aumentou para 6,5% ao ano, motivada pelo crescimento da inflação e por fatores como o câmbio, os preços de commodities e as condições climáticas desfavoráveis. Entre 2021 e 2022, o juros continuaram apresentando alta, ficando entre 7,75% e 13,75% até o fim do ano. Recentemente, a taxa Selic chegou ao maior patamar em 20 anos, com nível de 15% ao ano.
Copom
O modelo atual do colegiado, baseado na meta de oferecer maior transparência e manter um ritual mais estruturado das decisões, foi inspirado em práticas adotadas por bancos internacionais, como o Federal Open Market Committee (FOMC), do Banco Central dos Estados Unidos, bem como pelo Central Bank Council, colegiado que integra o Banco Central da Alemanha, conforme explica o Banco Central do Brasil. Dois anos após o Brasil criar o Copom, o Banco da Inglaterra também instituiu o Monetary Policy Committee (MPC).

