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Economia

CNI defende “taxa das blusinhas” após medida preservar 135 mil empregos

Cobrança sobre compras internacionais reduz importações, amplia arrecadação e divide posições dentro do governo

CNI defende “taxa das blusinhas” após medida preservar 135 mil empregos

A chamada “taxa das blusinhas” impediu a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados no Brasil e contribuiu para preservar mais de 135 mil empregos, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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A cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 também gerou arrecadação de R$ 3,5 bilhões em 2025, no primeiro ano completo de vigência da medida.

Funcionamento da cobrança nas compras

A tributação conhecida como “taxa das blusinhas” foi implementada em 2024 e alterou regras anteriores que previam isenção para compras internacionais de baixo valor.

Como divulgado pelo O Brasilianista, a medida passou a atingir encomendas de até US$ 50, que antes eram isentas quando enviadas entre pessoas físicas.

A estrutura da cobrança envolve dois tributos principais. Há a incidência de cerca de 20% de imposto federal de importação, além do ICMS estadual, que também gira em torno de 20%, calculado sobre o valor total da compra, incluindo frete.

Para compras acima desse valor, a carga tributária é mais elevada. O imposto pode chegar a 60% sobre o valor excedente, mantendo a cobrança do ICMS, o que amplia o custo final pago pelo consumidor.

Redução de importações e arrecadação

A aplicação da taxa teve impacto direto no volume de compras internacionais. O número de remessas caiu de 179,1 milhões em 2024 para 159,6 milhões em 2025, uma retração de 10,9%.

A projeção da CNI aponta que, sem a cobrança, o volume poderia ter alcançado 205,9 milhões de pacotes no período. Essa diferença representa cerca de 46,3 milhões de encomendas a menos entrando no país.

Além da redução no fluxo de produtos importados, houve aumento na arrecadação. O recolhimento do imposto passou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025, refletindo o efeito da ampliação da base tributária.

Debate sobre concorrência e indústria

A criação da taxa foi defendida como forma de equilibrar a concorrência entre produtos nacionais e importados.

Como O Brasilianista mostrou, entidades do comércio e da indústria apontam que, antes da medida, empresas estrangeiras vendiam produtos com menor custo por não estarem sujeitas à mesma carga tributária.

O manifesto assinado por entidades do setor afirma que a tributação ajudou a reduzir uma vantagem considerada artificial dos produtos importados.

O objetivo é preservar condições semelhantes de competição entre empresas nacionais e plataformas internacionais.

O documento também destaca que a cobrança passou a integrar um conjunto de regras iniciadas com o programa Remessa Conforme.

A inclusão do imposto federal completou o modelo de arrecadação que já previa a cobrança de ICMS sobre compras internacionais.

Impactos no consumo

Os efeitos da medida também atingem o comportamento do consumidor e o desempenho do comércio. A arrecadação com o imposto sobre compras internacionais chegou a R$ 1,28 bilhão no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 21,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A cobrança é aplicada, na maioria dos casos, diretamente no momento da compra em plataformas digitais. Isso permite que o consumidor visualize o valor total já com os tributos incluídos.

Em outros casos, o pagamento pode ser exigido na chegada da encomenda ao Brasil, como condição para liberação do produto. Essa dinâmica altera o custo final das compras internacionais de baixo valor.

Possibilidade de mudanças na política

A continuidade da taxa está em discussão dentro do governo e no ambiente político. Há divergência entre integrantes da gestão federal sobre a manutenção ou revogação da medida.

O tema voltou ao centro do debate em razão do impacto sobre o consumidor e da repercussão em período eleitoral.

Parte do governo defende a retirada da cobrança, enquanto outros setores argumentam que ela contribui para proteger a produção nacional.

A discussão também envolve manifestações de entidades empresariais. Representantes do comércio e da indústria defendem a permanência da tributação como forma de preservar empregos, investimentos e arrecadação no país.

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