O JPMorgan realizou modificações em sua projeção para a atividade econômica brasileira em 2026, motivado pelos resultados observados no primeiro trimestre deste ano. Em nova avaliação, o banco projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) deve passar dos 2,8% estimados anteriormente para 3,6% em termos anualizados na comparação do trimestre, conforme informações do InfoMoney.
O cenário foi motivado principalmente pelo desempenho da indústria, que apenas em fevereiro apresentou alta de 0,9%, bem como pelo varejo, que também obteve alta de 0,6% no segundo mês do ano, e pelos serviços, que acumulou avanço de 0,1% também em fevereiro e 0,2% nos primeiros três meses do ano, conforme informações do O Brasilianista.
Diante dos resultados, o JPMorgan avaliou a necessidade de elevar a projeção de crescimento do PIB deste ano para 1,5% na comparação anual, com um aumento de 0,2 ponto percentual.
Fôlego de crescimento pode diminuir
No entanto, o banco avalia que os resultados do período são efeito de carregamento estatístico, ou seja, não houve realmente uma melhora estrutural do cenário ao longo do ano. A projeção do JPMorgan indica que o movimento de crescimento da economia brasileira pode facilmente perder fôlego nos próximos períodos, com expectativa de crescimento abaixo do potencial no segundo semestre.
Acontece que fatores, como a deterioração das margens do setor corporativo podem pesar contra a atividade anual. Além disso, a leitura do banco é que os resultados podem ser puxados para baixo também pelo aumento dos custos de insumos e por condições financeiras mais apertadas, efeitos que devem ser agravados pelo conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais de energia.
Política monetária
No início do ano, agentes do mercado esperavam que o Banco Central realizasse cortes maiores na taxa Selic, mas, diante do ambiente mais desafiador, a política monetária brasileira deve seguir em uma postura mais cautelosa e restritiva. O JPMorgan entende que pressões inflacionárias no curto prazo e uma atividade resiliente indicam que o que deve ser esperado é justamente esse cenário de maior cautela na condução dos juros.
Segundo o banco, apesar da projeção ter sido modificada, isso não significa que o órgão monetário não aplique cortes, mesmo que menos fortes. Diante disso, a expectativa para os próximos movimentos da Selic foi revisada de cortes de 50 pontos-base para uma redução de 25 pontos-base, tanto na reunião de abril quanto na de junho, ou seja, a projeção da taxa básica de juros do país para o fim do ano aumentou de 11,75% para 12,25% ao ano.
Instabilidade
Na realidade, uma postura atual com mais credibilidade no controle da inflação no país pode tornar mais viável a projeção de a taxa Selic alcançar 10% em 2027. Contudo, as incertezas em torno dessa possibilidade são um dos pontos de atenção, principalmente diante da instabilidade no cenário internacional, em que seus efeitos ainda são difíceis de mensurar.
De acordo com o JPMorgan, a política orçamentária continua sendo uma das principais preocupações em relação ao balanço de crescimento e inflação. Apesar dos esforços do governo para diminuir o impacto da guerra entre os Estados Unidos e o Irã sobre o petróleo, bem como estimular o crédito e reduzir o endividamento das famílias para melhorar os efeitos sobre a atividade econômica, há ainda preocupações relacionadas à complexidade do trabalho do Banco Central, especialmente por se tratar de um cenário marcado por maior sensibilidade política.

