O Comitê de Política Monetária (Copom) tem reunião marcada para a próxima semana, na terça (28) e quarta-feira (29) para definir os rumos dos juros básicos da economia, a Selic.
Desde a última reunião, quando o comitê realizou o primeiro corte em meses, a taxa saiu de 15% ao ano para 14,75% ao ano. Na época, a previsão era de que os cortes iam continuar, mesmo em meio ao conflito do Oriente Médio e incertezas econômicas globais.
Felipe Sant’Anna especialista em investimentos do grupo Axia Investing explica que boa parte do mercado ainda acredita que o ciclo pode continuar, com corte de 0,25 ou até 0,5 ponto percentual entre os mais otimistas. No entanto, ele avalia que o cenário apontado no boletim Focus, que já não precifica a Selic para final de 2026 e 2027, vem piorando essas expectativas, além das projeções de inflação que pioraram.
Para ele, há espaço para manutenção dos juros, mas vale pensar que o cenário exterior é muito adverso.
“Nós voltamos com o petróleo para acima de 100 dólares hoje. Se daqui até quarta-feira que vem as coisas não tiverem um rumo mais previsível, de fato sairmos do discurso e entrarmos no recolhimento de tropas e uma queda mais consolidada do preço da commodity, acho que a gente pode dar continuidade com o corte de 0,25”, avalia.
Para o mercado financeiro, uma provável mudança de rumo na decisão monetária não deve causar grandes problemas para a bolsa, visto que já está em tendência de queda.
“Parte do mercado acredita que tem espaço. Eu não estou nessa parte, acho que nós deveríamos ser mais cautelosos nesse momento, mas aaqui até quarta-feira que vem, muita água vai passar no Estreito de Ormuz, muita água e tudo pode acontecer. Se escalarmos essa guerra até segunda ou terça-feira antes da reunião, já estarão todos em período de silêncio lá no Copom, acho que nós temos grandes chances de manutenção da taxa”, indica Sant’Anna.
Já Simone Deos, Conselheira do Corecon-SP, acredita na possível queda dos juros, considerando que o diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, “vocaliza sempre que tem compromisso obstinado com a meta de 3% [da inflação]”.
Como as projeções de inflação estão subindo, ela avalia que o BC deve apenas prosseguir com esse afrouxamento “muito tímido” de 0,25 pontos percentuais.
“Essas expectativas, o que se costuma chamar desancoragem das expectativas, tem vários motivos, mas essa questão internacional, ou seja, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e todos os seus desobramentos sobre o preço do petróleo, preço de commodities, entre outros, contribui para esse aumento e essa elevação das expectativas de inflação a despeito do fato de que o real está se valorizando”, afirma Deos.
Ainda assim, ela ressalta que o Banco Central já vinha de uma taxa de juros “equivocadamente alta” que permaneceu assim por um longo período. E, agora, quando resolveu dar início a esse ciclo de afrouxamento, está enfrentando essa situação internacional bastante adversa e enfim se vê, de alguma forma, “prisioneiro da própria estrutura que ele montou e com a qual ele diz está comprometido”.
As reuniões do Copom
O Copom realiza reuniões que duram dois dias consecutivos em uma periodicidade de 45 dias, tempo estimado pelo BC como necessário para analisar os resultados de juros e inflação da economia. As informações são do BC.
Em geral, no primeiro dia, os membros do colegiado avaliam dados como nível da atividade econômica, situação do mercado de trabalho, preços das commodities, comportamento dos preços e do câmbio, entre outros.
No dia seguinte, geralmente na quarta-feira, os diretores se reúnem para definir oficialmente o rumo que a Selic deve tomar. Há apenas três opções: a taxa pode subir, cair ou permanecer igual. Todos os votos têm o mesmo peso, e a decisão do colegiado é dada pela maioria simples.
Reuniões do Copom em 2026
- 1ª reunião: 27 e 28 de janeiro — já aconteceu, e o comitê optou por manter a Selic em 15% ao ano;
- 2ª reunião: 17 e 18 de março — já aconteceu, e o comitê baixou a Selic para 14,75% ao ano;
- 3ª reunião: 28 e 29 de abril;
- 4ª reunião: 16 e 17 junho;
- 5ª reunião: 4 e 5 de agosto;
- 6ª reunião: 15 e 16 de setembro;
- 7ª reunião: 3 e 4 de novembro;
- 8ª reunião: 8 e 9 de dezembro.
As atas do Copom são publicadas às 8 horas da terça-feira seguinte às reuniões do comitê.

