O transporte aéreo de passageiros segue com forte demanda no Brasil em 2026, após mostrar resultado recorde no ano passado.
Um levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base no relatório de demanda e oferta da Anac, divulgado nesta sexta-feira (24) indica que esse tipo de transporte aumentou 7,7% no primeiro trimestre do ano, registrando mais de 33,5 milhões de pessoas passaram por voos domésticos e internacionais entre janeiro e março.
Apesar dos números expressarem o crescimento do setor, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, avalia que os dados precisam ser analisados com cautela.
“Sabemos que há uma crise conjuntural e global afetando o preço do querosene de aviação (QAv) e isso pode impactar a movimentação de passageiros aéreos ao longo do ano. Mas este crescimento mostra a importância de adotar as medidas que estamos propondo para minimizar a influência da guerra sobre o valor da tarifa”, avalia o ministro, em nota.
Os voos internacionais foram os mais expressivos no período analisado, com aumento de 13% no trimestre em relação à mesma época do ano passado, com registros de mais de 8,3 milhões de passageiros. Por sua vez, nos voos domésticos, houve crescimento de 6%, contando com mais de 25,2 milhões de viajantes.
De acordo com o estudo, em março, último mês avaliado, foram movimentados 8 milhões de passageiros domésticos e 2,6 milhões de passageiros internacionais, totalizando 10,6 milhões — os dados representam números recordes para o mês.
Ainda na avaliação mensal, o segmento doméstico cresceu 1,3% em relação a março de 2025, enquanto o internacional subiu 8,9%. O total representa um crescimento de 3,1% em relação a março do ano anterior.
Medidas emergenciais
Com o barril de petróleo negociado acima dos US$ 100 em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã — o que ocasiona no bloqueio parcial do Estreito de Ormuz e sobe a crise energética global —, os preços de importação de combustíveis, em especial do querosene de aviação, prejudicam o setor.
Para arrefecer os impactos, o governo federal adotou algumas medidas emergenciais, como a isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre o QAv, o que deve gerar uma redução direta de cerca de R$ 0,07 por litro do combustível, segundo o ministério.
Além disso, as companhias aéreas poderão adiar o pagamento das tarifas de navegação aérea ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) referentes aos meses de abril a junho de 2026 para dezembro.
“Estamos estudando outras medidas para que os passageiros brasileiros não sejam tão prejudicados. Os impactos provavelmente serão sentidos, mas o Governo Federal está atuando para reduzir”, diz Franca.
A pasta ainda afirma que será disponibilizada uma linha de financiamento por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac). O modelo será voltado à aquisição de combustível, com risco assumido pelas empresas, de até R$ 2,5 bilhões por companhia.
Nesse caso, a operação será analisada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que também permitirá uma linha de crédito para capital de giro no valor de R$ 1 bilhão.

