De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (24), os gastos do povo brasileiro no exterior chegou ao recorde de US$ 6,04 bilhões ainda no primeiro trimestre de 2026. Desde 1995, quando iniciou essa curadoria de dados pelo BC, é o maior valor que já foi registrado nos três primeiros meses de um ano.
Esse resultado mostra que houveram despesas totais de US$ 4,96 bilhões e um crescimento de quase 22% se comparado ao mesmo período, em 2025. O mês de março ainda registrou um recorde de pouco menos de US$ 2 bilhões de gastos.
Atividade econômica em crescimento
Ainda segundo os dados do Banco Central, nota-se que o déficit das contas brasileiras tiveram um recuo de quase 11% nos três primeiros meses deste ano. Em 2025, a conta de transações recorrentes teve um declínio de US$ 22,71 bilhões no mesmo período, já em 2026 esse rombo foi de US$ 20,27, ainda abaixo em comparação. As rendas (dividendos, juros que são enviados ao exterior e remessas de lucros), serviços (gastos no exterior realizados por brasileiros) e a balança comercial (medição das trocas de bens entre os países) são componentes importantes para esse índice.
Mesmo que de forma desacelerada, a atividade econômica brasileira segue crescendo e aumentando ainda mais o consumo e a renda disponível. Dessa forma, o desempenho dessa economia doméstica é seguida de um comportamento em relação aos gastos registrados fora do país.
A demanda por serviços externos e importações aumenta na medida que há um crescimento no ritmo da economia, e esse saldo negativo diminui a partir do momento em que existe uma certa desaceleração da mesma. O déficit está diretamente relacionado a esses momentos.
Queda de investimentos
É possível notar ainda uma certa queda dos investimentos estrangeiros de uma forma direta com a economia brasileira, registrando pouco mais de US$ 23 bilhões no primeiro trimestre de 2025 e apenas US$ 21,03 bilhões em 2026, durante o mesmo período.
Mesmo com esse declínio, o equilíbrio das contas externas foi mantido a partir do financiamento do déficit através das transações correntes feitas nos dois primeiros meses de 2026.
Desvalorização do dólar
Mesmo que tenha recebido uma valorização de 0,58% na última quinta-feira (23), sendo cotada a R$ 5,00, o dólar ainda registra uma queda total durante o ano de 8,85%, mostrando um dos motivos pela aumento de despesas dos brasileiros.
Quando ocorre um certo declínio da moeda norte-americana, o gasto de turistas brasileiros já aumenta consideravelmente. Itens que são cotados a partir da moeda, como consumo de bens e serviços estrangeiros, passagens aéreas e hospedagem tendem a ser ainda mais consumidos pelo público.
O preço das compras e viagens ao exterior tende a diminuir mediante ao cenário que vivemos de desvalorização do dólar em relação ao real durante um período de tempo. Dessa forma, as despesas dos brasileiros aumenta de forma gradativa fora do país.

