As Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira (27), mostram que o endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em fevereiro, demonstrando um quadro de pressão sobre o orçamento doméstico em meio a juros elevados.
Segundo dados divulgados nas Estáticas Monetárias e de Crédito, o endividamento das famílias, que mede a relação entre o acúmulo de dívidas e a renda acumulada em 12 meses, subiu para 49,9%, o maior nível da série histórica.
Comprometimento de renda aumenta
Além do aumento do endividamento, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas também atingiu um nível elevado. Em fevereiro, o indicador chegou a 29,7%, representando uma alta de 1,9 pontos percentuais em 12 meses.
Na prática, isso significa que quase um terço da renda das famílias brasileiras está comprometida com parcelas de empréstimos e financiamentos. Segundo a CNN, desse total, cerca de 10,6% da renda é destinada ao pagamento de juros, enquanto aproximadamente 19% são direcionados à amortização do valor principal das dívidas.
Juros elevados explicam pressão
O cenário de endividamento recorde está diretamente relacionado ao ambiente de juros muito elevados no país. Com taxas de juros em níveis elevados, o crédito se torna mais caro, o que impacta tanto a contratação de novas dívidas quanto o pagamento das já existentes.
Dados do Banco Central mostram que a taxa média de juros das concessões de crédito segue em patamar elevado, refletindo um “aperto monetário” para conter a inflação. Ainda segundo a CNN, nesse contexto, as famílias acabam recorrendo a linhas mais caras, como cartão de crédito e crédito pessoal, o que contribui para elevar o comprometimento da renda.
Ao mesmo tempo, o encarecimento do crédito leva as instituições financeiras a adotar critérios mais rigorosos para conceder novas linhas de crédito, tornando o acesso a novos financiamentos mais seletivos.
Endividamento está no radar de Durigan
O endividamento das famílias brasileiras entrou no radar do Ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo informações do O Brasilianista, o ministro afirmou que o Governo Federal lançará um programa de renegociação de dívidas, com o objetivo de reduzir o endividamento das famílias.
O Governo Federal também estuda a liberação de créditos do FGTS para ajudar na renegociação ou amortização de dívidas de trabalhadores assalariados, autônomos, microempreendedores individuais (MEIs) e proprietários de pequenos negócios.
Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo está preparando uma nova fase do programa Desenrola, com o objetivo de reduzir ou eliminar o endividamento da população brasileira. Além de medidas voltadas para o controle de apostas online.
O mercado de apostas online já movimentou cerca de R$ 40 bilhões por ano, de forma ilegal. De acordo com O Brasilianista, esses valores representam cerca de 51% das operações financeiras do país, causando também uma perda relevante para os cofres públicos. Os gastos com bets já representam cerca de 0,5% do consumo das famílias.
A primeira fase do programa Desenrola, executada em 2023, reduziu cerca de 2 milhões de inadimplentes, mas acabou crescendo em 9 milhões de novos endividados nos últimos dois anos.

