Na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, realizada na semana passada, a taxa básica de juros do país passou de 14,75% para 14,50% ao ano, atendendo às expectativas do mercado financeiro que aguardavam novamente um corte moderado. No entanto, a redução de 0,25 ponto percentual pode não ser suficiente para estimular grandes mudanças no cenário econômico brasileiro.
Ao O Brasilianista, o especialista em economia, Thiago Holanda, explicou que a redução na Selic confirma o início de um ciclo gradual de afrouxamento monetário, mas extremamente cauteloso. Com isso, a análise é de que nos próximos 45 dias, o impacto do corte de juros no país tende a ser limitado, pois a política monetária tem operado com defasagens há um período longo de tempo.
Além disso, os efeitos sobre o crédito até a próxima reunião do Copom devem continuar sem muitas movimentações, cenário que deve permanecer impactando na demanda, assim como nos aportes. “O crédito deve permanecer caro no curto prazo, restringindo efeitos imediatos sobre consumo e investimento”, explicou o economista.
Inflação
O Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (04), aumentou a projeção da inflação para 4,89% em 2026, alcançando a sua oitava alta consecutiva. Conforme noticiado pelo O Brasilianista, apesar das altas registradas para este ano, as projeções continuam estáveis para anos seguintes, em que a inflação para 2027 é estimada em 4%, e em níveis próximos de 3,6% para 2028 e 3,5% para 2029.
Na avaliação de Thiago Holanda, as pressões sobre a inflação devem impedir que o Banco Central faça cortes maiores na taxa básica de juros dos país. A análise do especialista aponta também o fator de que o mercado pode estar focando mais em projeções futuras do que, estritamente, no cenário atual, o que pode auxiliar na percepção favorável.
“A inflação ainda apresenta pressões, especialmente em itens como alimentos e energia, o que limita cortes mais profundos. O mercado reage mais às expectativas futuras do que ao movimento atual, o que pode melhorar levemente a confiança”, explicou Thiago Holanda.
A projeção do câmbio para 2026 ficou em R$ 5,25, mantendo estabilidade em comparação com a última análise. No entanto, Holanda afirma que fatores externos, como juros internacionais e cenário geopolítico, como o conflito no Oriente Médio, podem fazer com que a taxa de câmbio oscilar nos próximos 45 dias. Já a renda a renda fixa continua sendo atrativa para investidores “mantendo o incentivo à alocação em ativos conservadores”.
Decisão sobre a Selic
A decisão sobre o patamar da Selic é realizada a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária, composto pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e por outros nove diretores. Os integrantes do comitê são responsáveis por apresentar dados técnicos sobre o crescimento econômico do país, como a inflação, contas públicas, atividade econômica e cenário externo, com o intuito de embasar, da melhor forma, a decisão sobre os juros, segundo o Banco Central.
“A taxa de juros Selic é a referência para os demais juros da economia. Trata-se da taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic)”, explica o BC.

