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Economia

Ata: Copom corta Selic a 14,50% com inflação projetada em 4,6% em 2026

Ata aponta necessidade de manter juros elevados diante de incertezas externas e pressão nos preços

Ata: Copom corta Selic a 14,50% com inflação projetada em 4,6% em 2026

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada em 28 e 29 de abril de 2026 detalha a decisão de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, em um cenário de inflação acima da meta e incertezas externas elevadas.

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O documento indica que as projeções de inflação seguem em 4,6% para 2026 e 3,5% para o fim de 2027, mantendo o ambiente de política monetária restritiva.

Inflação elevada condiciona política de juros

A inflação recente apresentou aceleração tanto nos índices cheios quanto nas medidas subjacentes, ampliando a distância em relação à meta estabelecida pelo Banco Central.

As expectativas para 2026 e 2027, captadas pela pesquisa Focus, permanecem em 4,9% e 4,0%, respectivamente, acima do objetivo oficial.

O documento destaca que a permanência das expectativas acima da meta exige uma condução mais restritiva da política monetária.

Em um ambiente de desancoragem, o comitê considera necessário manter juros elevados por mais tempo para garantir a convergência dos preços ao longo do horizonte relevante.

Ainda conforme a ata, o custo do processo de desinflação tende a ser maior quando as expectativas não estão alinhadas à meta, o que influencia diretamente a estratégia adotada pelo Banco Central na definição da taxa básica.

Cenário internacional amplia riscos

O ambiente externo segue marcado por incerteza elevada, principalmente em função dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Esse contexto tem impacto direto sobre as condições financeiras globais e sobre os preços de commodities.

O documento aponta que a volatilidade nos preços de energia, especialmente do petróleo, tem afetado as expectativas de inflação e contribuído para a manutenção das pressões sobre os preços. Esse fator é considerado relevante para a análise do cenário econômico.

Há incertezas adicionais relacionadas à política econômica dos Estados Unidos, que também influenciam o comportamento dos mercados e são levadas em conta nas decisões de política monetária no Brasil.

Atividade econômica segue em moderação

Os indicadores domésticos apontam para uma trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, conforme já era esperado pelo comitê. Esse movimento está associado, em parte, aos efeitos da política monetária restritiva.

O documento ressalta que a desaceleração da demanda agregada é um componente necessário para o reequilíbrio entre oferta e demanda, contribuindo para a convergência da inflação à meta. Esse processo já se reflete na redução do ritmo de expansão do crédito.

A moderação ocorre de forma heterogênea entre setores, com maior desaceleração em áreas mais sensíveis às condições financeiras, enquanto segmentos ligados à renda apresentam comportamento mais resiliente.

Mercado de trabalho mantém níveis elevados

O mercado de trabalho segue com taxa de desemprego em patamares historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais continuam em trajetória de crescimento acima da produtividade. Esse comportamento é monitorado pelo comitê devido aos impactos sobre a inflação.

O documento indica que a dinâmica entre emprego, renda e preços é um dos pontos centrais da análise econômica, especialmente no setor de serviços, onde a inflação tem apresentado maior persistência.

O comitê destaca a necessidade de aprofundar a avaliação dos efeitos estruturais do mercado de trabalho, incluindo a forma como esses fatores se transmitem para os preços na economia.

Decisão mantém cautela na condução

A redução da Selic para 14,50% ao ano foi considerada compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta no horizonte relevante. O corte de 0,25 ponto percentual foi definido como adequado diante do cenário avaliado.

O documento afirma que a magnitude e a duração do ciclo de ajustes dependerão da evolução das condições econômicas e das informações disponíveis ao longo do tempo. O comitê não antecipou decisões futuras sobre a taxa de juros.

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