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Economia

O que esperar da próxima reunião do Copom?

Economista afirma que o cenário macroeconômico brasileiro demanda cautela

O que esperar da próxima reunião do Copom?

Apesar da recente decisão que manteve a taxa Selic em 14,50% ao ano, com corte de 0,25 ponto percentual, as avaliações sobre o próximo patamar da taxa básica de juros decidida pela próxima reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para os dias 16 e 17 de junho, indicam que o colegiado deve seguir adotando uma postura cautelosa diante do cenário inflacionário. Especialistas apontam que mesmo com o início de um ciclo gradual de cortes a percepção de risco permanece.

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Na avaliação do economista Pedro Rafael Fernandes, na próxima reunião do Copom, a moderação na condução da Selic deve ser mantida, cenário que não deve provocar grandes mudanças, nem de cortes nem de altas. Segundo ele, o país continua dando sinais de superaquecimento, mas um dos fatores preocupantes é que governo federal tem aumentado o déficit nominal e, consequentemente, tem incentivado a incerteza fiscal no país.

“O cenário macroeconômico brasileiro demanda cautela para a próxima reunião do Copom, tanto do ponto de vista do contexto interno, quanto no cenário externo. A economia brasileira ainda dá sinais de superaquecimento. Os últimos dados do CAGED mostram crescimento vigoroso no mercado de trabalho formal. Assim como tem-se o governo federal ampliando o déficit nominal e ampliando a incerteza fiscal no curto e médio prazo”, afirmou Fernandes.

Cenário externo

Segundo o economista, há duas dimensões principais que devem ser consideradas em relação à política monetária do país diante do cenário externo, marcado por tensões internacionais envolvendo grandes potências mundiais. Entre elas está o enfraquecimento do dólar, que tem ajudado no processo de desinflação no Brasil, ficando abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos, segundo apuração do O Brasilianista

No entanto, a continuidade do conflito entre os Estados Unidos e o Irã segue impondo pressões sobre os preços dos combustíveis, assim como o fechamento do Estreito de Ormuz pode ser considerado na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. Na prática, sem a abertura da passagem marítima o preço internacional do petróleo continuará subindo e influenciando na inflação brasileira.

“A persistência do conflito EUA X Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz estrangulam a oferta de petróleo gerando pressões cada vez maiores sobre os preços do diesel, querosene de aviação e gasolina. Esta pressão é uma ameaça cada vez maior à estabilidade de preços domésticos”, disse. “O Brasil depende de importações de diesel e de gasolina. Se o estreito continuar fechado, os preços tendem a subir muito, batendo na inflação”, alerta Pedro Rafael Fernandes.

Inflação

Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (04), a projeção da inflação para 2026 subiu para 4,89%, representando a sua oitava alta consecutiva. De acordo com o economista Thiago Holanda, a inflação brasileira tem apresentado pressões, especialmente em itens importantes para o consumo, cenário que impede cortes mais profundos na Selic.

“A inflação ainda apresenta pressões, especialmente em itens como alimentos e energia, o que limita cortes mais profundos. O mercado reage mais às expectativas futuras do que ao movimento atual, o que pode melhorar levemente a confiança”, explicou o economista.

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