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Justiça

Caso Master: As menções ao BTG no relatório da PF

Conversas de Vorcaro apresentadas pela PF mostram que o banco de Daniel Vorcaro enviava muito dinheiro à instituição financeira de André Esteves

Caso Master: As menções ao BTG no relatório da PF

A decisão de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou busca e apreensão constra Ciro Nogueira e outros investigados, insclusive seu irmão, Raimundo, traz menções ao BTG, banco de André Esteves.

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Em conversa entre Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, o BTG é citado como destino de parte do dinheiro do Master. No fim de janeiro de 2025, Felipe diz a Daniel que foi informado sobre o aumento da mesada paga a Ciro Nogueira, mas que havia um problema para operacionalizar o pagamento.

Segundo Felipe, esse infortúnio existia porque o “fluxo está indo praticamente todo para o BTG”. Daniel então responde que o primo deveria resolver isso e que depois ele cobriria os rombos, pois não poderia ajudar naquele momento porque estava na Venezuela.

Confira abaixo:

Parceiros e rivais

A relação entre Master e BTG era ambígua. O banco de Esteves negociou títulos da instituição financeira de Vorcaro — e está sendo processado por isso —, mas os banqueiros não se davam bem.

Numa das conversas de Vorcaro que foram apreendidas, o dono do Master diz a sua então namorada, Martha Graeff, que Esteves é o culpado pelos problemas vividos por ele para garantir a liquidez do Master — que depois se mostrou artificial.

Vorcaro se refere a Esteves como Rei dos Reis, uma referência biblíca — já que seu cunhado, Fabiano Zettel, era pastor da Irgreja Lagoinha. Mas a menção jocosa também trata da influência do banqueiro em Brasília.

Nos bastidores da capital federal, Esteves é citado como algoz de Vorcaro. O motivo, segundo parlamentares, advogados e lobistas, foi o ‘roubo”, por Vorcaro, de aliados políticos de Esteves.

Não há informações sobre o quanto o Master repassava ao BTG nem sobre o BTG ou Esteves estarem sendo investigados no Caso Master.

Nomes que podem ser citados na delação de Vorcaro

A deleção feita por Vorcaro tem o poder de atingir diversos núcleos, tanto político, levando em consideração a relação do ex-banqueiro com os líderes partidários, senadores e deputados, quanto o da Faria Lima, por conta dos operadores financeiros que estão envolvidos na fraudes descobertas pela PF.

Em sua delação, Vorcaro pode citar o nome de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), que também está em negociação de delação premiada. A relação entre os dois garantiu que o BRB cobrisse os rombos do Banco Master, pelo qual fazia uma oferta de investimentos pelo qual anunciava a aplicação de forma segura por conta do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Além disso, Vorcaro também já contou que se encontrou com Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal (DF). O encontro foi confirmado pelo político, mas teve negação em relação a participação em crimes, garantindo que sua relação com o ex-banqueiro é superficial. Junto a menção de Ibaneis, é acompanhado também o nome de Celina Leão (PP), substituta do ex-governador no comando do Executivo da capital federal. Ela nega ter participado de qualquer irregularidade.

O ex-presidente Michel Temer também foi ligado ao Banco Master. Padrinho político de Ibaneis, ele foi apontado em uma reportagem por ter apresentado Vorcaro a investidores que teriam o poder de salvar o Banco Master.

Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados é outro nome que pode ser afetado pelo Caso Master. Sua cunhada, Bianca Medeiros, conseguiu um empréstimo com Vorcaro em março de 2024, no valor de R$ 22 milhões. Além disso, ele é muito citado no Caso Master por conta de uma emenda parlamentar feita pelo mesmo em um projeto de lei sobre o crédito de carbono. A sugestão de Motta obrigava as seguradoras a aportar um total de 0,5% de suas reservas técnicas nesse tipo de investimento, o que acabaria injetando cerca de R$ 7 bilhões a R$ 9 bilhões por ano a um mercado visado pelo Master.

Alexandre de Moraes, ministro do STF, é outro nome que colocado nas investigações, isso se deve ao contrato milionário feito por sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, mantendo uma prestação de serviços jurídicos. Mesmo com mensagens encontradas do ex-banqueiro para Moraes, o próprio nega qualquer tipo de contato com Vorcaro.

O ministro Dias Toffoli também tem seu nome especulado no Caso Master, isso se explica por conta de movimentos milionários no Resort Tayayá, empreendimento que é de posse de sua família. Lozalizado no Paraná, ele foi usado pelo ministro para receber algumas figuras de elite brasileira, como André Esteves, banqueiro que foi citado por Vorcaro através de mensagens como o responsável pelo rombo do Master. Seu banco, o BTG, é alvo de um processo judicial junto com o Nubank e Itaú, ocasionado pela oferta de títulos podres a venda pelo Banco Master, o que causou o rombo de R$ 50 bilhões no FGC.

O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.