Daniel Vorcaro, atualmente preso envolvido no escândalo do Banco Master, teria solicitado um monitoramento e dossiê de André Esteves, chairman, sócio sênior e acionista controlador do BTG Pactual.
Apuração do Estadão revelou que o levantamento foi feito por Thiago Miranda, publicitário e ex-sócio do Portal Leio Dias. A PF ainda descobriu que Miranda usou dados sigilosos de jornalistas e concorrentes do ex-dono do Master para produzir o material.
A intenção era justamente munir Vorcaro de informações “contra Esteves” em caso de necessidade. Miranda teve ajuda de um especialista em segurança digital no processo.
André Esteves não foi o único
Thiago Miranda também ajudou Vorcaro a fazer um dossiê sobre CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e de sua esposa, Camila Moretti Maluhy.
Como apontado nesta matéria de O Brasilianista, a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (09) encontrou mensagens entre Vorcaro e Miranda, em que o ex-dono do Master se diz incomodado com Milton.
A troca se dá quando ex-dono do Master pede para Miranda “fazer um levantamento do Milton Maluhy” porque o presidente do Itaú “está me causando muito problema”, ao que o publicitário retorna: “Deixa comigo”.
O objetivo do documento era constranger ou retaliar o executivo sempre que ele representasse algum tipo de obstáculo ou risco reputacional aos interesses de Vorcaro.
Matéria excluída e tudo: a influência de Vorcaro
O Intercept Brasil mostrou que a relação entre o banqueiro e Miranda também já repercutiu em mais ações. Após Vorcaro reclamar sobre uma matéria do Portal Leo Dias sobre o filme Dark Horse, considerando “muito ruim”, a reportagem foi retirada do ar uma hora depois da publicação.
O Brasilianista divulgou que Miranda era próximo de Vorcaro, intermediando seus repasses para o filme. O publicitário também foi responsável pela organização de uma campanha coordenada de influenciadores de ataque ao Banco Central (BC) no início deste ano.
As outras “vítimas” do Caso Master
Ibaneis Rocha aparece entre os nomes associados aos desdobramentos do Caso Master por causa das relações entre o Banco Master e o BRB. Nesta quarta-feira (08), ele anunciou a desistência de concorrer ao Senado nas eleições de 2026.
Celina Leão, que assumiu definitivamente o governo do Distrito Federal após a saída de Ibaneis, também foi alcançada pelas investigações. Há a possibilidade dela ser mencionada na delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco público.
Ele, por sua vez, também se tornou um personagem central do caso ao ser associado às negociações realizadas entre o banco público e a instituição comandada por Vorcaro.
Jaques Wagner, então líder do governo no Senado, também foi alvo de uma fase, que culminou na saída dele do posto.
Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) também apareceram nas apurações, como é o caso de Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Isso se repete no cenário político, com a presença de nomes como Hugo Motta, Davi Alcolumbre e o ex-presidente Michel Temer.

