Mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (07) contra alvos investigados na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master.
Entre os alvos da nova etapa está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.
As medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) incluem buscas em endereços ligados ao parlamentar em Brasília, além do bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores dos investigados.
Ao todo, a operação executa dez mandados nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Também houve autorização judicial para cumprimento de prisão temporária dentro da nova fase da investigação. As informações são do Bnews.
Nova etapa amplia alcance político da investigação
A ofensiva desta quinta-feira marca mais um avanço da Polícia Federal nas apurações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
A publicação destacou que Ciro Nogueira aparece entre os principais nomes atingidos pelas medidas autorizadas pelo STF.
O senador foi ministro da Casa Civil entre 2021 e 2022 e ocupa atualmente posição de destaque na articulação política da direita nacional.
Agentes federais estiveram em imóveis ligados ao parlamentar no Distrito Federal durante o cumprimento das ordens judiciais expedidas para a nova etapa da Compliance Zero.
Banco Central apontou movimentações consideradas atípicas
Como divulgado pelo O Brasilianista, a investigação começou após representação feita pelo Banco Central em julho de 2025 durante a análise da tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).
O órgão identificou transferências consideradas incompatíveis com os limites de exposição financeira entre as instituições.
Os registros analisados apontaram movimentação de aproximadamente R$ 12,2 bilhões do BRB para o banco controlado por Daniel Vorcaro.
A partir dessas operações, Polícia Federal e Ministério Público Federal passaram a investigar suspeitas de utilização de empresas de fachada, laranjas e créditos sem lastro para sustentar artificialmente o patrimônio da instituição financeira.
Investigação calcula prejuízo bilionário
Os investigadores estimam que o esquema investigado tenha movimentado cerca de R$ 17 bilhões em operações consideradas fraudulentas.
As apurações envolvem suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional e organização criminosa. Entre os focos da investigação está a comercialização de carteiras de crédito classificadas pelas autoridades como títulos podres.
Parte das operações utilizava fundos públicos de servidores e pensionistas para dar aparência de legitimidade às movimentações financeiras ligadas ao Banco Master.
BRB entrou no centro das apurações
As investigações passaram a concentrar atenção sobre operações realizadas pelo Banco Regional de Brasília após suspeitas envolvendo aquisição de ativos do Banco Master.
Os investigadores suspeitam que a diretoria do BRB tenha ignorado alertas sobre irregularidades para manter a liquidez do banco de Daniel Vorcaro. Algumas operações chegaram a representar aproximadamente 30% do patrimônio do banco público.
Com o avanço das investigações, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia Júnior acabaram afastados de suas funções.
Prisões haviam sido substituídas por medidas cautelares
Em novembro de 2025, a desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), determinou a soltura de Daniel Vorcaro e de outros investigados na Compliance Zero.
A decisão substituiu as prisões preventivas pelo uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaportes e afastamento dos cargos ocupados pelos investigados.
Além de Vorcaro, foram beneficiados Augusto Ferreira Lima, Luiz Antônio Bull, Alberto Felix de Oliveira e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.
Apuração também chegou ao Rio e à Bahia
As investigações da Polícia Federal passaram a examinar movimentações financeiras em outros estados além do Distrito Federal.
No Rio de Janeiro, os investigadores analisam aportes próximos de R$ 3 bilhões feitos por entidades públicas como Rioprevidência e Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) no Banco Master, apesar de alertas emitidos anteriormente por órgãos de controle.
Na Bahia, as suspeitas envolvem associações de servidores que teriam sido utilizadas para legitimar operações relacionadas aos créditos investigados pela Polícia Federal.

