O ministro Ives Gandra Martins Filho, integrante do Tribunal Superior do Trabalho, mencionou em uma palestra a existência de grupos “azuis” e “vermelhos” dentro da Corte. A expressão foi usada para descrever diferentes interpretações sobre a aplicação do Direito do Trabalho entre os ministros, de acordo com o Brasil Agro.
A fala abre espaço para entender quem é o magistrado, que integra o TST desde 1999, já presidiu o tribunal e construiu trajetória ligada à magistratura, ao meio acadêmico e ao debate jurídico nacional.
Segundo informações institucionais do próprio Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho reúne atuação na magistratura, passagem pelo Ministério Público do Trabalho, produção acadêmica extensa e histórico de decisões marcantes.
Formação e início da carreira
Nascido em São Paulo, em 09 de maio de 1959, Ives Gandra Martins Filho formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo em 1981. Depois, concluiu mestrado na Universidade de Brasília e doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, segundo informações institucionais do Tribunal Superior do Trabalho.
Antes de chegar ao tribunal, atuou na advocacia, ingressou no Ministério Público do Trabalho e exerceu funções técnicas no setor público.
Filho do jurista Ives Gandra da Silva Martins, nome conhecido nacionalmente por obras jurídicas e participação em debates constitucionais, o ministro cresceu em ambiente ligado ao Direito. Ao longo da carreira, construiu trajetória própria no ramo trabalhista.
O magistrado também é identificado publicamente como católico praticante. Em diferentes momentos, posições defendidas por ele em temas de costumes foram associadas a essa formação religiosa, conforme registros publicados por Migalhas.
Chegada ao TST e cargos de comando
Ives Gandra Martins Filho tomou posse como ministro do TST em outubro de 1999. Desde então, participou de órgãos internos relevantes e assumiu funções estratégicas na estrutura da Corte.
Entre 2016 e 2018, presidiu o Tribunal Superior do Trabalho. Antes disso, foi vice-presidente e corregedor-geral da Justiça do Trabalho. Também comandou turmas julgadoras e setores voltados à uniformização de entendimentos jurídicos.
No cenário trabalhista, seu nome ficou associado a posições de interpretação mais restritiva em alguns temas, com defesa de maior segurança jurídica e valorização da negociação coletiva entre empresas e empregados.
Professor e autor de obras jurídicas
Além da atuação nos tribunais, o ministro construiu carreira acadêmica. Lecionou em universidades e participou da formação de magistrados na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho.
Ele também assinou ou coordenou diversas publicações jurídicas, especialmente nas áreas de Direito do Trabalho e processo trabalhista. Entre os títulos mais conhecidos estão manuais usados por estudantes e profissionais da área.
Sua produção inclui ainda livros sobre filosofia, história e temas culturais, o que ampliou sua presença para além do meio jurídico. A irmã dele, Angela Gandra trabalhou no governo Bolsonaro, sendo braço direito da Damares Alves.
Nome lembrado para o STF e polêmicas públicas
Em 2017, Ives Gandra Martins Filho foi citado entre possíveis indicados para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Era o favorito entre os nomes, segundo O Globo. Na época, textos antigos de sua autoria e posicionamentos públicos passaram a ser debatidos por entidades e setores da sociedade.
Naquele momento, ministro divulgou nota afirmando que trechos reproduzidos estavam fora de contexto e declarou não ter postura “nem homofóbica, nem machista”.
Influência no debate trabalhista
Mesmo após anos no tribunal, Ives Gandra Martins Filho segue como referência em discussões sobre reforma trabalhista, papel dos sindicatos, negociação coletiva e limites da atuação judicial.
Sua trajetória mostra como ministros do TST também influenciam debates nacionais que vão além dos processos julgados em plenário. Por isso, sempre que surge uma controvérsia interna na Corte, seu nome costuma ganhar espaço no noticiário.

