O ano de 2026 marca as eleições gerais que devem acontecer em outubro. Além do presidente, os eleitores brasileiros devem votar para novos governadores, deputados e senadores.
Somente cargos do Poder Executivo — presidente e governador — possuem direito a um vice na chapa de campanha. Mas qual é de fato a relevância de um vice para as eleições?
Conforme mostrado pelo O Brasilianista, Geraldo Alckmin (PSB) já foi confirmado como candidato a vice-presidente na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará reeleição neste ano. Já Flávio Bolsonaro (PL), principal candidato à presidência da República da direita em 2026, ainda não tem chapa definida, mas a previsão, antes do vazamento dos áudios sobre o filme “Dark Horse”, era de que o posto sairia da disputa entre dois nomes: a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo). O segundo nome foi descartado pelo senador após as críticas recebidas pelo caso.
No caso do vice-presidente da República, sua principal função é substituir o Presidente em momentos de viagem, necessidade, ou mesmo de saída do cargo. Ainda assim, essa posição exerce outras responsabilidades políticas significativas ao lado do presidente da República.
Segundo o Planalto, o vice de algum cargo do Executivo carrega consigo a missão de cumprir missões especiais e exercer funções designadas pelo presidente, governador ou prefeito, sempre prestando assessoramento direto e imediato no desempenho de suas atividades. Essa interação próxima e colaborativa é essencial para o funcionamento eficaz do governo e para a consecução dos objetivos políticos e administrativos estabelecidos.
Nas eleições, a escolha de um vice faz diferença?
Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica ao O Brasilianista que o vice é uma figura muito importante a ser escolhida por conta das suas funções, “seja na gestão, seja nas questões relacionadas à institucionalidade e à confiança que a cabeça de chapa poderia trazer para os eleitores”.
Além disso, comenta que a posição de vice — seja de governador ou presidente —, reclama trajetória política, conhecimento e experiência.
“Ele pode muito bem ajudar, não apenas sendo vice, mas ajudar também de maneira institucional, política, e com projetos que o governo desenhe e tenha intenção de levar à apreciação do poder legislativo. Então é alguém que tem papel preponderante, predominante”, afirma.
Nas eleições, o especialista acredita que principalmente o vice-presidente pode, sim, ajudar um candidato a ganhar espaço entre os eleitores. Ele cita o exemplo das eleições de 2022, em que a presença de Geraldo Alckmin na chapa de Lula foi importante no embate polarizado entre Lula e Jair Bolsonaro.
“Quando você escolhe um vice para prefeito, para governador ou para presidente da República, você leva em consideração algumas variáveis, como a formação de palanques nos estados ou nos municípios. Se você tem um presidente que é cabeça de chapa de um partido, o vice-presidente geralmente é de um outro partido também forte dentro da coligação. Com isso você ganha musculatura política eleitoral. Um vice pode ser alguém que tem uma boa penetração em determinadas regiões do país, onde o cabeça de chapa não tem”, explica
Segundo Prando, esse cargo pode ser considerado um equilíbrio entre a experiência e a idade do cabeça de chapa e a juventude do vice. Outra possibilidade é utilizar diferenças de gênero, como uma mulher como vice para equilibrar o discurso e “mostrar assino ao eleitorado”.
Porém, ele alerta que também é importante um vice, especialmente o vice-presidente, ter um papel de cautela, calma e responsabilidade institucional, que não ficaria “o tempo todo conspirando contra o governo daquele que foi eleito, a fim de que com o desgaste ele possa assumir”.
“Alckmin foi a figura, provavelmente, que fez com que um pequeno percentual de votos que não seriam dados ao Lula fosse entregue em confiança, ele teria um papel de amainar um discurso mais duro de Lula”, cita o exemplo das eleições de 2022.
Por outro lado, ele avalia que a presença de Alckmin nas eleições deste ano não tenha tanta importância quanto em 2022. Isso porque, na visão do cientista político, seria difícil repetir as mesmas ideias e programas, especialmente a tese da defesa da democracia, com a figura de Flávio Bolsonaro conseguido se distanciar da figura do pai, se mostrando, até o momento, um portador de um discurso que busca maior moderação.

