A mediana das projeções do mercado financeiro para a inflação oficial brasileira em 2026 voltou a subir e alcançou 4,92%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Boletim Focus, do Banco Central.
O avanço representa a décima alta consecutiva das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O relatório também mostrou aumento nas projeções para a taxa básica de juros. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 passou de 13% para 13,25% ao ano. Já a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 1,85%.
As estimativas foram coletadas pelo Banco Central até a última sexta-feira (15) junto a instituições financeiras e consultorias econômicas.
Inflação segue acima do teto da meta
Os números do Boletim Focus indicam que o mercado financeiro continua projetando inflação acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional para 2026.
A meta central de inflação prevista para o próximo ano é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o teto permitido é de 4,5%, enquanto a nova projeção do Focus ficou em 4,92%.
Além da alta para 2026, o relatório mostrou avanço das estimativas para 2028, passando de 3,64% para 3,65%. Para 2027, a expectativa permaneceu em 4%.
O Focus também apontou leve recuo do chamado IPCA suavizado de 12 meses, que caiu de 3,97% para 3,95%.
Mercado ajusta projeções para juros
A nova elevação das expectativas para a Selic reforça a percepção do mercado de manutenção de juros elevados por período mais longo.
A mediana das projeções para a taxa básica em 2026 passou de 13% para 13,25% ao ano. Para 2027, o mercado manteve expectativa de juros em 11,25%. As estimativas para 2028 continuaram em 10% pela 17ª semana consecutiva.
O relatório ainda aponta que, mesmo com expectativa de redução da Selic em relação ao atual patamar de 14,5% ao ano, o ritmo previsto de cortes ficou menor do que o projetado no início de 2026.
Analistas consultados pelo Banco Central também elevaram as previsões para outros índices de preços, como o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), cuja estimativa para 2026 passou de 5,60% para 5,63%.
Petróleo e cenário externo influenciam projeções
O aumento das estimativas ocorre em meio ao avanço das tensões internacionais e da alta do petróleo no mercado global.
Parte da deterioração das expectativas ocorreu após a disparada das cotações internacionais do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.
No começo do ano, o barril de petróleo era negociado perto de US$ 60. Agora, a commodity voltou para a faixa dos US$ 110 por barril.
O encarecimento do petróleo costuma pressionar combustíveis, logística e custos industriais, fatores que impactam diretamente as projeções para inflação no Brasil.
O relatório também mostrou estabilidade nas expectativas para preços administrados em 2026, que recuaram de 5,01% para 4,93%.
PIB mantém ritmo moderado de crescimento
As estimativas para o crescimento da economia brasileira permaneceram praticamente estáveis nas projeções do mercado financeiro.
Segundo o Boletim Focus, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 ficou mantida em 1,85% pela terceira semana consecutiva.
Para 2027, houve leve alta de 1,76% para 1,77%. Já para 2028 e 2029, as projeções seguiram em 2%.
Os dados reforçam a percepção do mercado de crescimento moderado da atividade econômica nos próximos anos, em um ambiente ainda marcado por juros elevados e crédito mais restrito.
A manutenção de juros altos costuma impactar o consumo das famílias, os investimentos das empresas e o custo do financiamento no país.
Dólar permanece estável nas projeções
A mediana das projeções para o dólar ao fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, a expectativa recuou de R$ 5,30 para R$ 5,27. Já para 2028, a estimativa caiu de R$ 5,35 para R$ 5,34.
O mercado manteve a projeção da moeda americana em R$ 5,40 para 2029. Esses dados influenciam diretamente preços de importados, combustíveis, alimentos e custos de produção da economia brasileira.

