O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19), durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o Brasil ainda enfrenta um cenário inflacionário pressionado e que a autoridade monetária precisará manter uma postura cautelosa nos próximos meses.
Segundo Galípolo, fatores externos como a guerra no Oriente Médio e choques recentes de oferta passaram a afetar até mesmo expectativas de inflação para 2028, ampliando o nível de incerteza econômica.
O presidente do BC declarou que o mundo vive sucessivos choques econômicos nos últimos anos, incluindo pandemia, conflitos e crises logísticas, o que dificulta o trabalho de controle da inflação.
Desemprego baixo e economia aquecida pressionam juros
Gabriel Galípolo destacou que a combinação de mercado de trabalho aquecido — com desemprego em níveis baixos — e renda em crescimento pressiona a demanda e impõe a manutenção de taxas de juros mais restritivas para conter a inflação, com atenção redobrada aos núcleos de serviços e consumo
O presidente do BC reforçou que a inflação continua acima da meta perseguida pela autoridade monetária e indicou que a política de juros restritivos ainda deverá permanecer por mais tempo.
Galípolo também afirmou que parte do desafio atual é separar impactos temporários provocados pela guerra e pelo petróleo dos efeitos mais duradouros sobre preços e expectativas econômicas.
Galípolo pede aprovação de autonomia financeira
Galípolo também aproveitou para pedir apoio do Congresso para aprovar a proposta de autonomia financeira do Banco Central.
“Se o Senado quer realmente ajudar a governança do Banco Central, pelo amor de Deus, aprova o PLP (projeto de lei complementar) que está há dez anos na Câmara de dar autonomia para o Banco Central”, afirmou durante a sessão no Senado.
Segundo o presidente da instituição, a medida permitiria maior independência administrativa e orçamentária para o BC, reduzindo limitações operacionais enfrentadas atualmente. A proposta em discussão no Congresso amplia a autonomia da autoridade monetária e prevê mudanças na estrutura administrativa e financeira do órgão.
Galípolo também defendeu que o Banco Central preserve a sua atuação técnica e evite se transformar em um “palanque” político durante debates econômicos.
Presidente do BC nega disputa entre Pix e cartões
Durante a audiência, Galípolo também comentou o avanço do Pix no sistema financeiro brasileiro.
Segundo ele, o sistema de pagamentos instantâneos ampliou a bancarização no país e aumentou o acesso da população aos serviços financeiros. No entanto, ele negou que exista uma disputa direta entre o Pix e as empresas emissoras de cartão.
De acordo com Galípolo, os diferentes meios de pagamento continuam ocupando funções distintas dentro da economia brasileira, embora o Pix tenha acelerado mudanças importantes no setor financeiro.
Banco Master também entrou na discussão no Senado
Senadores também questionaram Galípolo sobre o caso envolvendo o Banco Master, tema que vem gerando pressão política sobre o Banco Central nas últimas semanas. O presidente da CAE, Renan Calheiros, já havia afirmado anteriormente que o assunto deveria voltar ao centro das discussões durante a audiência.
Durante as respostas aos parlamentares, Galípolo defendeu a atuação técnica da autoridade monetária e afirmou que o Banco Central seguirá atuando dentro de critérios regulatórios e institucionais.
A audiência desta terça-feira faz parte das apresentações periódicas obrigatórias do presidente do BC ao Senado para prestação de contas sobre política monetária, inflação e atividade econômica.

