Após o PIB brasileiro crescer 3,4% em 2024, as projeções para 2026 indicam um avanço mais moderado da economia, entre 1,6% e 2,3%, segundo estimativas do Banco Central e do Ministério da Fazenda.
Entre os principais fatores por trás da desaceleração estão os juros elevados, a restrição ao crédito, o endividamento de famílias e empresas e um cenário internacional ainda cercado de incertezas.
Em entrevista ao O Brasilianista, o Economista e Professor de Mercado Financeiro da UnB, César Bergo avaliou os efeitos da desaceleração da economia para os empresários e como passar por essa fase sem grandes perdas.
Segundo Bergo, embora o Brasil continue crescendo, a economia vem perdendo força gradualmente.
“O PIB ainda apresenta crescimento positivo. Para este ano, a previsão é de cerca de 1,86%. O problema é que esse crescimento vem desacelerando de um ano para o outro. Isso não significa que o país esteja em recessão. Ainda existe crescimento, mas alguns setores já demonstram perda de força”, explica.
Crédito caro e consumo menor pressionam empresas
Entre os sinais mais claros da desaceleração, Bergo aponta o enfraquecimento do setor de serviços, especialmente diante da redução do consumo das famílias e do encarecimento do crédito.
“Com juros elevados, o crédito fica mais caro e o consumo diminui. Além disso, famílias e empresas estão bastante endividadas, o que acaba afetando toda a cadeia produtiva. O empresário percebe que o consumidor está comprando menos. Isso muda a dinâmica das empresas e aumenta a preocupação com custos e investimentos”, afirma.
Bergo também avalia que os juros altos alteram o chamado “custo de oportunidade” para o setor produtivo.
“Em alguns casos, com a taxa de juros elevada, acaba sendo mais vantajoso aplicar recursos no mercado financeiro do que assumir o risco de produzir”, pontua. Além disso, o economista alerta que as empresas enfrentam outros desafios, como a adaptação à reforma tributária, custos trabalhistas e o aumento das recuperações judiciais.
Setor de serviços já demonstra enfraquecimento
De acordo com Bergo, o setor de serviços é o que mais tem mostrado sinais de enfraquecimento, especialmente segmentos ligados ao transporte.
“Os dados mais recentes do IBGE mostram que o setor de serviços teve um impacto decisivo na desaceleração da economia. Houve uma queda de 1,2% no primeiro trimestre, principalmente nas atividades relacionadas ao transporte”, afirma.
Apesar de o acumulado anual ainda indicar crescimento, Bergo avalia que o desempenho recente acende um alerta, principalmente porque o setor de serviços tem peso significativo na economia brasileira.
“Historicamente, o setor de serviços é muito importante para o crescimento do país. E ele vem sentindo os efeitos da carestia, da inflação e dos juros elevados”, explica.
O economista destaca que o encarecimento do crédito e a redução do consumo acabam afetando diretamente atividades ligadas à circulação de mercadorias e pessoas.
Planejamento e eficiência são essenciais
Para enfrentar o momento de desaceleração, Bergo recomenda uma postura mais conservadora por parte das empresas, com foco em eficiência e controle financeiro.
“As empresas precisam ganhar eficiência, revisar custos administrativos e fazer uma gestão mais cuidadosa até que o cenário econômico melhore”, afirma.
O planejamento financeiro e disciplina orçamentária se tornam ainda mais importantes em períodos de menor crescimento. “Esse é o momento de evitar uma gestão muito arrojada e priorizar investimentos que reduzam custos e aumentem eficiência”, diz.
Bergo ressalta ainda que a queda dos juros será fundamental para aliviar a pressão sobre as empresas, especialmente em relação ao capital de giro.
“As empresas dependem muito de crédito e do capital de giro. Com os juros elevados, esse custo financeiro fica praticamente proibitivo”, conclui.

