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Política

O uso de IA nas eleições de 2026 gera diversas preocupações

Casos recentes mostraram o poder da informação disseminada pela tecnologia

O uso de IA nas eleições de 2026 gera diversas preocupações

Uma foto foi altamente repercutida nas redes sociais que mostrava como tinha sido um dos momentos durante a reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Salão Oval da Casa Branca.

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Na imagem, Flávio aparece sentado no lado esquerdo, usando uma gravata azul e falando algo enquanto seu braço está levantado. Eduardo Bolsonaro está no canto direito observando a cena com um semblante feliz. Trump, por sua vez, aparece no meio dos dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, olhando atentamente para Flávio.

Apesar da aparência realista, a imagem foi criada por inteligência artificial (IA). A tecnologia permite gerar cenas do zero, com cenários realistas e dificilmente detectada pelo público.

Situações como essa são uma crescente preocupação durante o ano eleitoral de 2026. A facilidade para criar vídeos, imagens e áudios falsos com IA colocou as eleições de 2026 no centro das preocupações de especialistas em direito digital, integrantes da Justiça Eleitoral e campanhas políticas.

De ataques contra candidatos ao compartilhamento de notícias falsas ou manipuladas podem influenciar as perspectivas do eleitorado, mesmo se os conteúdos forem identificados como não reais depois de publicados.

IA como temor nas eleições

Conforme explicou Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, à esta matéria do O Brasilianista, o impacto vai além da desinformação isolada e atinge diretamente a confiança pública e a capacidade de o eleitor distinguir o que é verdadeiro durante a campanha eleitoral.

Para ela, a inteligência artificial já representa um risco concreto para o processo democrático, visto não apenas a circulação de informações falsas, mas a velocidade e o alcance desse material.

“A inteligência artificial generativa representa um risco real porque permite a criação rápida, barata e altamente convincente de imagens, vídeos e áudios falsos”, afirmou.

Justiça Eleitoral também se preocupa

O tema atingiu, inclusive, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já aprovou normas voltadas ao uso de IA nas eleições de 2026. As regras incluem restrições ao uso de deepfakes e a exigência de identificação de conteúdos produzidos com a tecnologia.

Para Juliana Sene Ikeda, especialista em direito digital e sócia do Campos Thomaz Advogados, também em entrevista ao O Brasilianista, o avanço dessas ferramentas elevou a desinformação “a um novo patamar” visto seu baixo custo e facilidade de produção.

Mesmo em casos das informações serem desmentidas posteriormente, as especialistas reiteraram que os efeitos podem se manter. Isso porque a viralização costuma ser mais rápida do que os mecanismos de verificação e remoção.

Além disso, Vlavianos reforça que o problema principal também está ligado ao ambiente de desconfiança criado a partir dessas manipulações. Até mesmo materiais legítimos passam a ser questionados quando o eleitor perde a capacidade de identificar o que é autêntico.

“O eleitor nem sempre recebe a correção com a mesma intensidade com que recebeu a desinformação inicial”, alegou a advogada.

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