O ex-advogado de Ciro Nogueira (PP) no caso Master, conhecido como Kakay, criticou a posição do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao afirmar que a origem do problema do Banco de Brasília é criminal.
Em entrevista à Veja, na última segunda-feira (01), Durigan usou como justificativa da fala dois eventos que sucederam a tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro: o ex-presidente do BRB estar preso e a investigação em cima de Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal. Ele ainda sugeriu que Ibaneis poderia ser preso também.
“É um problema gerado pelo ex-governador do DF, que deve ser resolvido pelo próprio GDF”, disse o ministro.
Em nota, Kakay afirmou que a fala de Durigan seria uma irresponsabilidade.
“É muita irresponsabilidade um ministro de Estado, que só deve conhecer a investigação pela imprensa, falar em responsabilização criminal e até em possibilidade de prisão de uma pessoa que ,até o presente momento, sequer é formalmente investigado. A não ser que ele tenha informações privilegiadas, o que seria grave, e tenha conversado com o possível delator. O governador Ibaneis aguarda com tranquilidade, apoiando a investigação, afinal como governador sempre deu autonomia absoluta ao presidente do BRB e reafirma que está à disposição das autoridades devidamente constituídas”, afirmou.
Vale lembrar que o BRB ficou conhecido após a tentativa de adquirir o Master e sofrer um prejuízo bilionário após aportes na instituição financeira fraudulenta. Resta agora saber se o banco estatal deve ser liquidado ou vai conseguir sustentar suas contas.
Já o advogado estava cuidando de outro investigado do caso Master, o senador Ciro Nogueira, que é acusado e investigado por ser bancado pelo dono do banco, Daniel Vorcaro. O escritório de advocacia Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados divulgou a informação, indicando que a saída foi realizada em comum acordo.
Ciro teve férias bancadas por Vorcaro
O relatório apresentado pela PF no último mês confirma relação de amizade com benefícios mútuos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira.
O Brasilianista mostrou que, dentre os benefícios, o senador ganhou uma viagem luxuosa aos alpes franceses, mais precisamente em Courchevel, com custo de quase R$ 2 milhões pagos pelo banqueiro.
O parlamentar ainda recebeu mesadas, outras viagens, foi à restaurantes e garantiu emendas parlamentares. A relação demonstra um arranjo funcional de benefícios mútuos, extrapolando os limites da amizade, segundo análise do ministro André Mendonça, do STF.
Ciro recebia mesada de Vorcaro desde pelo menos 2021. O valor, inicialmente, era de R$ 300 mil, subindo para R$ 500 mil em 2023. Em troca, os interesses do banco Master eram defendidos no Senado pelo parlamentar.
BRB consegue empréstimo do FGC
No fim do mês passado, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) concedeu empréstimo para o BRB, com objetivo de melhorar seus indicadores financeiros após os impactos causados pelo caso Master.
A União e o Governo do Distrito Federal fecharam um acordo para viabilizar essa operação de crédito.
A proposta prevê um empréstimo ao governo do DF de 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) apurada na forma estabelecida na Resolução n. 43/2001, do Senado Federal. O banco brasiliense busca capitalizar R$ 6,6 bilhões e buscou o apoio do FGC e também de outras instituições financeiras privadas.

