O Banco Regional de Brasília (BRB) busca processar os ex-diretores que geriam a estatal no momento em que as fraudes constatadas na Operação Compliance Zero aconteceram. O rombo na instituição foi de ao menos R$ 12 bilhões pelo seu envolvimento com o Master.
A proposta será submetida a uma assembleia geral extraordinária com os acionistas, convocada para o dia 22 de agosto. A reunião é convocada nos termos da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976), que confere responsabilidade aos administradores quando agem com culpa, dolo ou em violação à lei, ao estatuto ou aos seus deveres fiduciários (diligência, lealdade, informação e prevenção de conflitos de interesse).
“Diante de indícios de irregularidades em operações com o ecossistema Master/REAG — investigadas no âmbito da Operação “Compliance Zero” —, há sinais de descumprimento desses deveres, indicando a ocorrência de danos relevantes ao patrimônio do Banco, cuja extensão deverá ser quantificada com base nos documentos técnicos, contábeis e regulatórios de suporte. Tais circunstâncias permitem identificar pressupostos da responsabilidade civil: conduta antijurídica, culpa ou dolo (ou violação normativa), o dano ao patrimônio social e nexo de causalidade”, afirma o documento.
Vale lembrar que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está preso, suspeito de ter aceitado receber R$ 146,5 milhões em propina com o objetivo de facilitar as negociações entre o BRB e o Master. Outros ex-gestores também estão na mira da Polícia Federal, mas respondem em liberdade.
O que aconteceu entre BRB e Master?
O rombo do BRB e busca por recuperação de caixa no curto prazo começaram após uma representação do Banco Central (BC) em julho de 2025 rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os motivos para a recusa, segundo o BC, eram o fluxo atípico de recursos transferidos pelo BRB ao Master nos primeiros meses de 2025, ultrapassando o limite de exposição da estatal.
Daniel Vorcaro, dono do Master, comprou a participação no banco em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno e risco.
O BC começou a suspeitar das negociações do Master com o BRB ao identificar o aporte de R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco privado não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Risco de liquidação
Em certo desespero por ajuda, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai emprestar dinheiro para o BRB para melhorar seus indicadores financeiros após os impactos causados pelo caso Master.
A proposta aprovada prevê um empréstimo ao governo do DF de 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) apurada na forma estabelecida na Resolução n. 43/2001, do Senado Federal. O banco brasiliense buscou capitalizar R$ 6,6 bilhões e o apoio do FGC e também de outras instituições financeiras privadas.
O problema é que o BRB está com uma suposta falta de liquidez diária. O Brasilianista mostrou como um bloqueio de R$ 9 bilhões no Orçamento do governo do Distrito Federal (DF) e pagamentos em atraso reforçam a possibilidade de uma liquidação da estatal. Dessa forma, o BRB estaria operando sem dinheiro em caixa e com patrimônio negativo.
A hipótese é de que a demora na divulgação do balanço financeiro da companhia seria para evitar uma liquidação do Banco Central (BC). Essa possibilidade causaria perdas acima de R$ 50 bilhões entre bancos, governo do DF e tribunais de Justiça.
Somente R$ 20 bilhões seriam necessários para pagar os correntistas e investidores através do FGC, mas a liquidação do Master já comeu aproximadamente mais da metade do total disponível no fundo.
Tribunais preocupados
O Brasilianista também mostrou que desembargadores de cinco Tribunais de Justiça têm procurado conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito Federal (DF) para saber da situação do BRB.
Esses magistrados estão preocupados com os R$ 30 bilhões em depósitos judiciais geridos pela instituição financeira e ligados a processos que tramitam nas Cortes de Alagoas, da Bahia, do DF, do Maranhão e da Paraíba.
A demora na publicação do balanço financeiro do BRB tem incomodado magistrados das Cinco cortes estaduais, com a hipótese de que salvar o banco estatal seja mais difícil do que o imaginado.

