O Pix, método de pagamento de transferência instantânea, virou um dos formatos de pagamento preferido dos brasileiros, atrás apenas do cartão de crédito. Envio direto, 24 horas e com a segurança de ponta a ponta, não demorou muito para essa ferramenta se transformar em um verdadeiro patrimônio cultural entre os brasileiros — que recebe olhares atentos de outros países..
Criado em 2020 pelo Banco Central (BC), a ferramenta conecta instituições financeiras e de pagamento com pessoas físicas, empresas e entidades governamentais para fornecer pagamentos instantâneos ou agendados, saques em dinheiro, pagamento de faturas e empréstimos de curto prazo, entre outros serviços.
Cerca de 80% da população brasileira já utiliza o PIX, o equivalente a mais de 170 milhões de pessoas. Em 2025, o sistema movimentou mais de R$ 35 trilhões, consolidando-se como o principal meio de pagamento do país.
O uso massivo alterou a forma como milhões de brasileiros lidam com suas contas bancárias. Antes, muitos correntistas apenas sacavam o salário e utilizavam dinheiro em espécie. Agora, a facilidade de pagamentos pelo celular permitiu manter recursos na conta e realizar pagamentos digitais.
Benefícios do Pix
O sistema foi desenhado para permitir transferências em tempo real, 24 horas por dia, inclusive em finais de semana e feriados. Ao longo do tempo, passou a substituir métodos tradicionais como TED, DOC e boletos em boa parte das operações financeiras do dia a dia.
A ferramenta ganhou diversas funcionalidades desde o lançamento. Entre elas:
- PIX Cobrança, que passou a cumprir papel semelhante ao boleto;
- PIX Saque e PIX Troco, que transformaram estabelecimentos comerciais em pontos de retirada de dinheiro;
- PIX Agendado, que facilitou pagamentos recorrentes.
Empresas também passaram a incluir formato de pagamento de boletos em Pix. Recentemente, a ferramenta ganhou recursos como o pagamento por aproximação em celulares Android, o PIX Automático para cobranças periódicas e a integração com o Open Finance, que permite iniciar pagamentos a partir de diferentes plataformas digitais.
Para compras, por exemplo, o método ainda é um dos mais interessantes para garantir descontos ou mesmo aprovação de pagamento mais rápido.
Pix e outros países
Os Estados Unidos recentemente realizaram críticas ao Pix baseadas em uma investigação que alega que a plataforma é uma maneira de impedir a competitividade de empresas de pagamento que poderiam oferecer esse serviço.
Vale lembrar que as principais companhias de pagamento são americanas e a falta do mercado brasileiro, em geral sempre amplo e diverso para testes com consumidores, seria uma restrição à competição ampla.
O governo de Donald Trump se sente ameaçado ao observar que o Pix está se espalhando pela América Latina, como visto pelo pedido da Colômbia para uma expansão do serviço ou mesmo o uso do Pix para brasileiros em outros países latinos.
Se os outros mercados latinos aderirem ao sistema de pagamentos brasileiro, o presidente estadunidense vê uma ameaça às empresas americanas.
Pix vs Zelle
Com recentes comentários internacionais envolvendo o Pix, usuários começaram a comparar a ferramenta com a infraestrutura de pagamentos americana chamada Zelle. Embora ambos permitam transferências eletrônicas rápidas, os dois modelos possuem estruturas e objetivos diferentes.
O Brasilianista mostrou que enquanto o PIX foi desenvolvido pelo Banco Central como uma infraestrutura nacional de pagamentos, o Zelle opera como uma rede privada criada por grandes bancos americanos.
A plataforma americana surgiu em 2017 como uma iniciativa privada criada por grandes instituições financeiras dos Estados Unidos, entre elas Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo. A abrangência desse modelo depende da adesão das instituições participantes da rede privada, ao contrário do Pix, que permite conexão com todos os bancos no Sistema Financeiro Nacional.

