Manchas nas cores azul e amarelo surgiram na região de São Tomé de Peripe, subúrbio da zona oeste de Salvador (BA). Desde o aparecimento até o momento, um culpado ainda não foi encontrado, porém, segundo o ex-diretor do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Topázio Neto, a causa seria advinda de material antigo enterrado durante operação anterior da região, pela Usina Siderúrgica da Bahia – Usiba/Gerdau.
De acordo com apuração do BNews, o ex-diretor afirmou que as manchas são oriundas de operação anterior da Usiba/Gerdau, desenterradas pelo processo natural e de movimentação do solo. As declarações foram dadas pelas redes sociais do líder comunitário Lázaro Conceição, conhecido como Lazinho.
Atualmente, a área é comandada pela Intermarítima Portos e Logística. O local compõe o Terminal Marítimo de Granéis, e segue sobre investigação de órgãos ambientais. Segundo apurou o BNews, foi encontrado nitrato e cobre na região afetada. As autoridades ainda não chegaram a uma conclusão sobre a origem do material contaminado, e a área segue interditada parcialmente e sob monitoramento.
Responsabilidade e atuação do Ministério Público e da PF
Segundo Neto, a definição da responsabilidade do caso depende da avaliação jurídica realizada em conjunto com o Ministério Público da Bahia (MP-BA). Conforme apurou o BNews, a Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito em maio de 2026 para investigar o surgimento das manchas na área contaminada. A motivação para a atuação da PF no caso não foi divulgada.
Monitoramento do Inema
O monitoramento realizado pelo Inema detectou que os líquidos contaminantes confirmam a presença de nitrato e cobre, duas substâncias químicas que, em contato com humanos, podem causar doenças graves. Segundo o instituto, as manchas foram encontradas na faixa de areia localizada atrás das instalações da Intermarítima.
As avaliações técnicas realizadas em fevereiro apontaram que o material não é oriundo natural da área. Desta maneira, o acesso à orla foi restringido para banhistas, moradores e pescadores.
Impacto local
Segundo apurou O Brasilianista, cerca de 800 famílias seguem sem resposta definitiva para a causa e os responsáveis pela contaminação. O vazamento de líquido impactou diretamente pescadores, marisqueiros e moradores da região, que dependem do mar para a sobrevivência.
O MP-BA abriu tratativas para negociar a indenização aos cidadãos afetados pela contaminação. A Gerdau, abordada pelo MP, afirmou que recebeu uma proposta do órgão, e enviou uma contraproposta em 08 de maio de 2026. Apesar de não reconhecer responsabilidade, em nota, a companhia se colocou à disposição para auxiliar nas medidas de apoio à população afetada, conforme apurou O Brasilianista.
Gerdau não reconhece responsabilidade
Em nota, a Gerdau informou que não reconhece responsabilidade no caso, avaliando que nenhuma análise técnica foi conclusiva quanto as reais causas da contaminação. A antiga controladora do terminal vendeu a operação em 2022 para a Intermarítima, com a transferência autorizada pelos órgãos reguladores.
Segundo a empresa, a teoria de que o material seria derivado de passivos antigos é refutada pela presença de nitrogênio amonical nas amostras coletadas. Desta maneira, demonstrando que o contaminante é recente, pois, segundo apurou O Brasilianista, o pronunciamento da moderadora confirma que o composto é associado a fontes recentes de contaminação.

