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Geopolítica

Trump lança maior ofensiva para cassar cidadanias nos EUA

Medida atinge inicialmente 17 cidadãos naturalizados acusados de fraude migratória

Trump lança maior ofensiva para cassar cidadanias nos EUA

O governo do presidente Donald Trump anunciou uma nova etapa da política migratória dos Estados Unidos e deu início ao que classificou como o maior esforço já realizado para revogar cidadanias obtidas por naturalização.

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A medida foi confirmada pelo Departamento de Justiça e atinge inicialmente 17 cidadãos americanos nascidos no exterior, acusados de fraude migratória ou condenados por crimes graves.

As ações judiciais foram protocoladas em tribunais federais de diferentes estados e buscam retirar a cidadania de pessoas que teriam omitido informações relevantes durante os processos de naturalização.

Entre os casos citados pelo governo estão condenações por abuso sexual infantil, fraude financeira, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e uso de identidades falsas.

A legislação americana permite a desnaturalização quando há comprovação de que a cidadania foi obtida mediante fraude, ocultação de fatos relevantes ou declarações falsas.

Discurso reforça endurecimento migratório

A iniciativa foi reforçada publicamente pelo secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin. Em suas redes sociais afirmou que o governo utilizará todos os instrumentos legais disponíveis para retirar a cidadania de imigrantes que tenham cometido crimes ou mentido durante procedimentos migratórios.

“A cidadania americana é um privilégio e deve ser conquistada honestamente. Se você vier para cá, infringir nossas leis e mentir em seu processo de imigração, você perde esse privilégio”, escreveu Mullin em publicação oficial do Departamento de Segurança Interna (DHS).

Segundo o governo americano, os cidadãos que perderem a naturalização retornarão ao status migratório anterior, normalmente o de residente permanente. A partir daí, poderão ser submetidos a processos de deportação, caso existam fundamentos legais para a remoção do país.

Pressão sobre imigrantes cresce desde retorno de Trump

A nova ofensiva ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias implementadas após o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

Como mostrou O Brasilianista, milhares de imigrantes passaram a desistir voluntariamente de processos de proteção humanitária e de regularização migratória diante do aumento das detenções e das mudanças promovidas pelo governo federal.

Mais de 80 mil ordens de saída voluntária foram concedidas entre janeiro de 2025 e março de 2026. O número representa um crescimento expressivo em relação ao período final do governo Joe Biden.

Mais de 70% dos imigrantes que aceitaram deixar os Estados Unidos estavam detidos quando tomaram a decisão. Segundo especialistas, a permanência prolongada em centros de custódia e a redução das perspectivas de regularização contribuíram para o aumento desses pedidos.

Shayna Kessler, diretora de um programa do Vera Institute, disse que vários detidos não enxergam alternativas viáveis para regularizar a situação.

O que acontece com quem perde a cidadania

Nos Estados Unidos, a revogação da cidadania não ocorre de forma automática. O processo exige ações judiciais conduzidas pelo governo federal e permite que os acusados apresentem defesa perante os tribunais.

A legislação prevê que apenas cidadãos naturalizados podem ser alvo desse tipo de procedimento. Americanos nascidos no país não estão sujeitos à desnaturalização.

Para obter a revogação da cidadania, o governo precisa convencer um juiz de que houve fraude, ocultação de informações ou descumprimento de requisitos legais durante o processo de naturalização.

O Departamento de Justiça ampliou em 2025 os critérios de prioridade para esses processos e passou a direcionar esforços para casos considerados mais graves, incluindo crimes sexuais, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e esquemas de fraude migratória.

O procurador-geral interino Todd Blanche afirmou que a administração adotará política de “tolerância zero” para abusos no sistema de naturalização.

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